Modo rapel
A sensação muitas vezes é essa. Sem remédio eu volto a ser uma florzinha que tá abrindo os botões e que qualquer vento pode levar. Antes eu tinha vergonha de dizer que dependo de remédios para estabilizar meu humor e sentimentos: minha família não aceitava, os namorados achavam meu transtorno e depressão uma frescura, e o restante eu tentava esconder. No final das contas era só eu e eu segurando a barra, sozinha. Hoje não tenho problema algum em assumir que eles me dão qualidade de vida, porque é isso que eles fazem (não é sobre dependência). Contudo, porém, entretanto, todavia, chega um momento que o vidro esvazia, e a maioria das vezes acontece no fim do mês, quando eu não tenho dinheiro pra comprar tudo. É aí que eu entro em modo rapel. Poderia dizer que é literalmente isso. Todo mundo tem seus altos e baixos, não é? Pois bem, sem minha dose diária eu me sinto descendo, rumo ao meu "baixo", pendurada por uma corda que balança de forma imprevisível e as vezes me faz colidir...