Processos
Então... me peguei pensando que tudo na vida são processos.
Qualquer coisa que você precisa fazer, ou decida fazer, tem todo um processo pra que se concretize. Eu sei que é uma merda ter que passar por burocracias ou desapegos, porque nada acontece de uma vez só porque a gente quer (e isso é uma pena), mas o que me conforta é que o resultado vai vir, mesmo com todo o caminho que a gente tem que andar, labutar, se arrastar, chorar e quase desistir... um dia a gente chega lá.
Mais especificamente, eu pensei em como é o processo de desaparecer da vida de alguém. Infelizmente (como eu disse) não pode ser de uma hora pra outra, da noite pro dia. Tem que ser aos poucos.
É muito legal a gente conhecer pessoas que parecem com a gente, que tem uma alma cheia de luz ou que simplesmente se identifica com a gente por alguma situação parecida que foi vivida - mesmo que em épocas diferentes. A questão é que, da mesma forma que existem pessoas que queremos que saiam da nossa vida e não podem sair, as vezes existem pessoas que gostamos muito mas não podem ficar na nossa vida, seja por um motivo ou outro.
Já fazem alguns dias que penso o quão eu tenho sido meio redundante em algumas coisas, sejam pensamentos e palavras, atos e insistências. E eu acho que isso não é tão saudável. São em momentos assim que eu não me vejo sendo suficientemente útil na vida de alguém, mesmo que esse alguém seja muito solícito ou bom pra mim. Sinto que tô sendo inconveniente. E penso em desaparecer da vida da pessoa. Enquanto meus milhares de milhões de pensamentos vão tomando conta da minha cabeça, eu vou deixando de falar, vou deixando de responder, vou criando novos costumes ou motivos na minha própria cabeça de que aquela pessoa tem coisas mais importantes pra fazer do que trocar ideias comigo, ou ouvir conselhos meus, ou até mesmo ouvir lamentos meus. E vou deixando pra lá.
Eu tenho deixado pra lá muita coisa que eu sinto, na verdade. Ando meio que no automático já tem uns dias e ultimamente, a carência tem batido à minha porta. Eu queria ser mimada por alguém, um colo pra chorar, ou alguém pra passar a mão no meu cabelo enquanto eu choro. Voltei tão cansada pra casa hoje, que tô tentando entender (ou encaixar na minha cabeça) que essa vai ser minha nova rotina às segundas-feiras. Aos poucos sei que vou deixando de existir em alguns lugares, em algumas pessoas e sendo mais vívida na mente e nos olhos de pessoas novas e eu não me questiono tanto se isso é bom ou ruim, só acho que sou insignificante em algumas vidas. E como acontece desde que eu vim morar nessa cidade, eu procuro não me apegar a ninguém que eu conheço, até mesmo meus amigos, pra não sentir tanto a ausência quando eu for trocada, abandonada ou deixada de lado por outras coisas mais importantes.
Hoje eu comecei um processo desses. Já respondi pouco, já não liguei tanto para uma palavra de conforto e aceitei minha solidão. Vi uns vídeos de músicas que tocam fundo na minha alma como uma faca corta um queijo gelado, forçando cabo e lâmina até conseguir cortar, e arrepentando o queijo, ele se esfarela todo. Tô sentindo meu coração esfarelando agora. Sei que tem processos que são dolorosos, mas o que é realmente meu, vai ficar, mesmo que eu tente me apagar...
Ainda é segunda-feira e eu só quero que a semana acabe.
Assinado, Joice.
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