Fora da internet
Ontem não tomei tanto café, e dormi mais cedo.
A vida fora da internet tem sido mais movimentada do que imaginei. Não tenho ligado tanto pra escrever por aqui, mas permaneço escrevendo à moda antiga, em cadernos ou qualquer pedaço de papel. Tenho me virado nos 30 porque o terapeuta está de férias, mas isso não quer dizer que tem sido ruim.
O fato é que em algum momento a vida ia acontecer como tem acontecido: compromissos corridos no trabalho; a vida pessoal voltando ao normal depois de quase 10 anos na universidade; os desafios diários como dar atenção à Ártemis, ser dona de casa, conviver com minha irmã, administrar meus sentimentos e retomar os meus hobbies... Muita coisa, fora a saúde física que eu tenho tido mais atenção, e até mesmo preocupação.
Meu coração anda mais calmo, e talvez tenha sido esse motivo que me fez escrever hoje, antes que todo mundo chegasse no trabalho: eu tenho sido feliz. Tenho me descoberto como uma pessoa boa para se relacionar, que empatia não quer dizer que eu venho cedendo demais pro meu companheiro, mas sim dando uma oportunidade à mim mesma de ser feliz com alguém que me faz feliz, apesar dessa pessoa ter suas adversidades.
Parei de tomar antidepressivo por uns meses, mas vi que era melhor voltar e meu psiquiatra mais uma vez me elogiou, dizendo que meus insights são bons, no sentido de eu perceber quando eu devo dar a devida atenção à minha mente, tanto nas suas necessidades como seus confortos. Confesso que esse processo todo não é tão fácil como ele diz em consulta, tudo é resultado de muitas experiências e nem sempre experiências boas. Ando pesquisando mais sobre mim, sobre como me relacionar com as pessoas, como esses relacionamentos não me prejudicarem e graças ao regulador de humor, ainda continuo conseguindo pensar duas ou mais vezes antes de me estressar:
- Vale a pena ou não? Isso merece minha energia? Eu devo ligar pra isso?
E outras N perguntas que no momento não vou lembrar. Apesar de tudo, eu tenho sido feliz. Como a Joice criança, adolescente e jovem, sigo sendo uma adulta inteligente. A minha sorte é que tenho amigos que, mesmo em pouca quantidade, posso contar pra todo bom ou mau momento, e ainda se preocupam comigo. Todas as terças-feiras no trabalho, nós temos uma reunião geral com a equipe e em todas essas reuniões, nós começamos com um momento de gratidão. Bem, um dos meus insights que me gerou gratidão ontem foi perceber que, apesar de fora do trabalho terem pessoas que querem perturbar o meu juízo e eu não ter controle sobre certas situações/pessoas, todos os momentos em que eu fui grata no meu trabalho tem um grande peso para que eu seja feliz agora e não tenha do que reclamar, mesmo que alguma coisa esteja pendente para eu resolver, algum exame pra fazer ou alguma "senteça" para receber.
Fora da internet a vida tem corrido muito, mas eu não tenho do que reclamar. Estou viva, estou vivendo, fazendo boas memórias, abraçando quem eu gosto, dizendo o quanto as pessoas importantes pra mim tem sido importantes e especiais e me fortalecendo cada vez mais, para que nos próximos capítulos eu continue dizendo que a vida presta.
Assinado, Joice.
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