Teorias de 2025 e a vida real

Tenho a impressão de já ter escolhido esse tema "vida real" esse ano aqui no blog, mas ok. Vamos de novo falar sobre isso porque é o que me resta, com tantas vivências diferentes que tenho tido.
Hoje eu cai numa teoria da internet que diz que os relacionamentos que conseguirem sobreviver ao ano de 2025 podem suportar qualquer tipo de adversidade nos próximos anos, tudo isso por conta de numerologia. Bem, eu nunca fui de estudar sobre essas coisas, sigo mais o lado científico de tudo, mas com toda certeza posso dizer que esse ano tem sido bem diversificado de acontecimentos, momentos e situações, o que me faz pensar que não são só os relacionamentos que podem suportar qualquer adversidade se sobreviverem ao caos que 2025 está tendo. Eu por exemplo, particularmente se eu conseguir superar a maioria das minhas questões pessoais até o final do ano, vou ser um ser humano sei lá, 99% melhor e pra isso o pobre do meu terapeuta tem recebido mensagens minhas sem turno certo, sem hora certa, pedindo orientações, conselhos, respostas... 
Devo confessar que bate um desespero quando vejo algo fugindo do meu controle, principalmente algum comportamento meu. Depois de anos tratando um transtorno desenvolvido, consigo perceber que estou bem melhor que 2/3 anos atrás, mas que ainda tenho muito a melhorar. Hoje, uma resposta do meu terapeuta me fez perceber que mesmo longe dos meus pais, ainda sou muito afetada pelas ações deles enquanto eu era criança e adolescente (em resumo, enquanto eu morava com eles). Ele me perguntou se possivelmente na minha cabeça o amor está ligado a brigas e imediatamente eu lembrei da minha casa, da minha rotina, das agressões verbais entre meus pais, no desdém que meu pai tinha com minha mãe, nas conversas aos gritos, da minha mãe sendo a chefe de família... Muita coisa ao mesmo tempo, e tudo indica que esses acontecimentos todos que fizeram com que eu desenvolvesse o borderline. 
Em momento algum eu quero culpar meus pais de algo, sei que naquela época acho que eles tentaram fazer o que estava na possibilidade deles, mas infelizmente os vícios do meu pai e tomadas de decisão da minha mãe não batiam tanto, não combinavam. Eu ainda vejo cenas de discussões na minha cabeça, ouço as brigas, sinto o medo que senti quando era criança de alguma coisa sair do controle a ponto de acontecer uma besteira e eu não sei até quando eu vou ter isso na minha alma, na minha cabeça, no meu psicológico, atrapalhando minha vida, meus comportamentos e influenciando nas minhas tristezas. É muito duro pra mim ter medo que as coisas deem errado e eu mesma acabar estragando as coisas por sentir esse medo. Muitas vezes, quando estou em terapia, consigo localizar o motivo de falhas minhas, consigo chegar numa possível solução com meu terapeuta, mas na prática nem sempre eu consigo dar conta, e acabo me machucando - ocasionalmente machuco alguém também, e a dor em mim é em dobro.
A vida real é bem diferente da vida que tá exposta na internet. Eu sei que essa teoria que eu vi pode não ser tão verdadeira, mas que 2025 tem sido bombástico, eu posso concordar. A maioria das vezes, quando algo de ruim acontece, eu tento de imediato sanar essa questão, porque a ansiedade aperta meu peito de um jeito que nunca consegui explicar ou medir em palavras, mas uma coisa que esse ano eu aprendi é que nem sempre é possível resolver tudo na hora e que forçar isso pode ser pior. O pensamento da gente nesse exato momento pode não ser condizente com o momento de 30min a frente, e é preciso respirar.
Respirar. Respirar. Respirar.
O imediatismo atrapalha. Idealizações fantasiosas atrapalham. Ser emocionado não é ruim, não quando você encontra outro emocionado pra vocês serem emocionados juntos. Compreensão é algo que deve ser trabalhado, assim como a empatia e a resiliência. Não há coisa melhor do que seguir com a reciprocidade na sua essência, seja pra retribuir sentimentos bons ou até mesmo a distância. Em hipótese alguma existirá alguém perfeito pra você, o que vai surgir é um ser humano disposto a compartilhar a vida com você, se curando de feridas que podem ser recentes ou antigas, porém disposto. Independente do que vier a acontecer, sei que vou continuar sendo um ser humano cheio de amor pra dar, a diferença é que talvez eu perceba que também preciso me curar de feridas que não fui eu que fiz, e tá tudo bem porque quem fez não está se importando, e eu escolho viver. Mas viver por estar vivo não vale muito a pena, a gente tem que ver propósito nas coisas, ter planos, se dar o direito de sonhar, de alimentar esses sonhos e ser determinado a fazer algo por nós mesmos - não só tentar fazer, determinar mesmo.
Não faço ideia se ainda virei por aqui antes do fim do ano escrever sobre alguma coisa, mas eu sei que até então, por mais que o ano tenha tido várias reviravoltas, tem valido a pena e o que eu mais desejo é ter a oportunidade de me entregar mais ao que almejo pra minha vida, sem tantos medos ou receios regendo minha vida, minhas atitudes e todos os sentimentos bons que eu tenho em mim.
Teorizar não adianta muito. Eu vou praticar, e não só a partir do ano que vem. 
Agora.

Assinado, Joice.

Comentários

  1. Também cresci em um lar com gritos e brigas, onde todo o tempo parecia uma situação limite. Hoje percebo que muito do meu comportamento ansioso vem devido a isso. Mas como você disse, entendo que eles fizeram o melhor que puderam. Por conta disso nao csg mais morar perto da minha mãe, a amo muito, mas sei que nao é saudável pra mim.

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    1. Te entendo. Quando a gente cresce, a distância acaba se tornando a melhor opção para uma vida saudável.

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