Silêncio

Sinto que é um momento de permanecer em silêncio.
Estou de recesso, e por mais que isso seja significado de pausa, tô correndo contra o tempo.
Tirei o link desse blog do meu perfil do instagram, num sei se quero que as pessoas de lá me percebam, ou deixar exposto algo que as pessoas não ligam. Talvez eu passe um tempo escrevendo por aqui sem divulgar a alguém que tô escrevendo. Acho que essa é uma forma de "permanecer em silêncio".
Costumo dizer que sou uma pessoa anônima, mas gosto de escrever e adoro saber que alguém já leu meus textos, por mais que as vezes eu não ache eles interessantes. A pré-estação chuvosa chegou em Fortaleza e os dias parecem mais mórbidos porque tá quase sempre nublado. Quente e nublado, em tempo de cair um balde d'água na nossa cabeça a qualquer momento. Ora o sol decide sair, ora ele se esconde e eu só queria ter um recesso sem sair de casa, mas já é terça-feira e sai em todas as manhãs desde então.
A vida tem me exigido paciência pra muita coisa: espera de consultas, de tempo para fazer exames, para sair resultado de exames, pra estudar, pensar, planejar o ano de 2026, pra pensar em mim e cuidar de mim da melhor maneira possível. Meu terapeuta tá de cama com o pé quebrado e continuo dando conta de mim praticamente sozinha. Acho que consigo, sou uma jovem senhora responsável. Só bate uma falta de ser cuidada por alguém as vezes, mas entre ser cuidada por alguém que não me respeita e cuidar de mim mesma sozinha, prefiro estar sozinha. E é por isso que estou aqui, agora, tentando não ficar me maldizendo de tantos afazeres que tenho feito sozinha.
Eu tenho visto o mundo ao meu redor e sentido ele de uma forma diferente. Em termos técnicos, estou com um tumor e ele tá crescendo. Isso não é motivo pra desespero - segundo o médico - mas querendo ou não, eu me desespero. É um corpo estranho, que dói e a dor tá irradiando pra outras partes do meu corpo. Não sei ainda o que tem dentro, nem faço ideia o que originou ele, mas como disse, tô correndo contra o tempo pra saber de tudo isso e, se possível, tirar logo isso de mim, pra eu ficar bem rápido. Eu não queria ser tão exigente com a vida, mas espero que no ano de 2026 a minha saúde seja menos afetada. Quero poder voltar pra academia, pedalar mais vezes, quem sabe correr ou dançar, ou ao menos conseguir me deitar direito na cama pra dormir, sem parecer que tô toda torta.
Entre ganhos e perdas neste último mês, tenho focado no resultado positivo de tudo isso. Percebo que continuo a pessoa responsável de sempre, que vai fazer as coisas mesmo sem tanta vontade de levantar da cama, que limpa o que tá sujo e até mesmo que sai pra comprar roupas sozinha (acho arriscado, mas tô treinando). Apesar de não morar mais sozinha, acho que manter a organização das coisas em casa ainda tem sido uma tarefa solo minha, principalmente porque eu não consigo trabalhar direito sem uma organização básica, ou a casa limpa. Tenho tentado não ter aquele sentimento de fracasso, externar minhas chateações e trabalhar como me expresso e volto ao início do texto, acho que é um momento bom pra estabelecer um silêncio: dá pra pensar melhor, planejar melhor as próximas ações, estudar, ouvir música, escrever, ter calma, controlar o desespero...
O silêncio uma hora acaba sendo necessário.

Assinado, Joice.

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