Autossabotagem

Isso pode ser um desabafo, ou um lembrete pra futuras situações que isso acontecer (ou tanto faz). O que vale é a intenção. Em algum momento da vida você, caro leitor desde blog quase parado, já deve ter praticado autossabotagem, mesmo sem saber que ela tinha esse nome.
Para começo de conversa, vamos esclarecer o que significa autossabotagem:

"[Popular] Processo de sabotagem que alguém faz a si mesmo, falando especialmente das ações que uma pessoa faz e que acabam por prejudicá-la de alguma forma, essas ações geralmente são inconscientes."

Existem diariamente as pessoas que tentam nos sabotar, seja na fila de um ônibus ou não deixando a gente falar. E temos nós mesmos, contra nós mesmos! Lembro de quando ouvi esse termo pela primeira vez, nunca imaginei que isso pudesse acontecer (leiga na época), mas quando me foi explicada, eu me vi sentenciada ao fracasso, porque na maior parte da vida eu tinha a autossabotagem como "companheira" e claramente ela já havia me mal influenciado em várias decisões, situações e momentos da minha vida - muitas vezes acabando com a minha própria felicidade, uma felicidade que eu demorei muito pra construir ou até a involuntária que aparecia.
Quantas pessoas boas eu acabei distanciando da minha vida por achar que eu não merecia, por achar que estava bom demais pra ser verdade e que antes que acontecesse algo muito ruim que me levasse ao fundo do poço, eu deveria acabar ali para a dor ser menor. Quando eu li "A culpa é das estrelas" lembro que o autor escreveu um diálogo onde disse "a dor, ela precisa ser sentida" e se referindo à minha vida, evitar sentir essa dor era o que me parecia ser mais seguro. Contudo, perdi. Perdi muita coisa: pessoas, memórias, amores, amizades, fotos, presentes marcantes, elos fortes... Eu sei que é inconsciente, mas existe um nível o qual vira doentio, quando a sensação de já estar ao chão é "confortável" porque lá você não corre perigo de sentir dor, de ser derrubada, de ser abandonada ou rejeitada. 
Como border que sou, foram incontáveis as vezes que isso se passou na minha cabeça. Achar que a pessoa que gosta de mim vai me deixar por encontrar outra mais bonita, mais inteligente, mais bem colocada financeiramente ou profissionalmente foi o que mais me ocorreu - falo isso porque foi a experiência mais repetitiva da minha vida com autossabotagem. Hoje aos meus quase 33 anos, vejo que ela ainda dá as caras, querendo me levar praquele fundo de poço que acaba sendo uma zona de conforto, me privando de ter momentos felizes, novas experiências, conhecer novas pessoas, fazer novos amigos, amar alguém, entre outros. Mas diferente da Joice jovem, acho que hoje em dia tenho mais consciência de que eu tenho que segurar as pontas da minha cabeça e entender mais que tem coisa que só eu posso fazer por mim, principalmente com relação a autossabotagem. 
Uma vez eu pensei algo um tanto "surreal": antes que minha cabeça tente me confundir, eu vou confundir minha cabeça. Sei que aquela história de "pensa positivo, mulher" é demasiadamente clichê (sim, é clichê e chata), mas as vezes é isso que me sobra pensar. Derivando disso, vem mais perguntas:
- Pra onde pensar negativo vai me levar?
- Por que pensar que vai dar errado se tá dando certo?
- O que eu posso fazer pra continuar bom do jeito que está?
- Foi acreditando que ia dar certo que cheguei até onde estou.
Existem N possibilidades de perguntas que podem me dar um start na cabeça, e que consequentemente podem dar um jeito na autossabotagem. Mas o que não funciona, é pensar sempre o mal das pessoas... Por mais que existam pessoas ruins no mundo, eu gosto de pensar que ainda tenho a capacidade de atrair pessoas de bom coração e construir uma história legal, memorável e agradável para nós - seja amizade, namoro ou um ambiente tranquilo de trabalho.
Quando eu era criança, lembro de algumas vezes minha mãe dizer que eu era do contra. Hoje (mais especificamente o dia de hoje) essa lembrança me veio em mente e por um lado, acho que chegou o momento de usar esse meu lado do contra, principalmente pra dispersar a autossabotagem. Sei que algumas condições psicológicas me afetam de alguma forma, que nunca vai estar tudo 100%, mas posso chegar nos 90% ou 95% e que isso vai depender de mim, seria desonesto da minha parte jogar essa batata quente pra outra pessoa segurar. O que ainda considero sorte, é ter pessoas próximas a mim que estão dispostas a me escutar, me compreender e validar meus sentimentos. 
É nesse momento que eu vejo que estou no caminho certo, e que chegou a hora de dar um sacode nessa autossabotagem.

Assinado, Joice.

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