Umas poucas verdades

Ultimamente eu tenho pensado demais em escrever. Tem horas que eu escrevo que saem coisas sem nexo (acho que o último texto que fiz foi assim). Hoje ouvi um episódio de podcast onde o tema era "eu vi você perdendo o interesse" e fiquei ouvindo até o final.
O amor não é só felicidade o tempo todo e as vezes é difícil lidar com alguns momentos. Não sei exatamente como lidar quando aparentemente quem você ama está se distanciando aos poucos. Estou completamente longe de ser perfeita, porém sou um ser humano que ama e como cada um, tem seu jeito diferente de amar que nem sempre agrada o próximo. Talvez seja esse um dos problemas. Outro problema é a aceitação de quem eu amo, por eu ser assim. Quando isso acontece, parece que o fim é o melhor caminho, do que tentar que a pessoa entenda que você a ama demais e que a forma dela demonstrar amor é aquela. Eu não estou triste, nem desesperada, nem com raiva, nem ansiosa. Me sinto em um canto neutro onde aguardo uma resposta, de que sou insuficiente, que não vale a pena, que não preciso mais tentar, que não preciso mais amar.
Estou medicada, sendo acompanhada por terapeutas, disposta a arcar com as consequências financeiras e ciente de que o emocional poderá ficar abalado, mas quando nos sentimos perdidos, ansiamos por algo que venha ao nosso encontro para nos situar da nossa realidade. Seja pra continuar ou pra recomeçar. 
Eu queria que meu namorado lesse isso. Sinto ele distante, ele não demonstra se preocupar comigo e anda rabugento ultimamente e não consigo enxergar algum motivo que eu tenha dado. Eu sei que com o passar dos anos os relacionamentos mudam, mas não deveria esfriar ou haver distância, não se houver amor. Eu amo ele e por mais que houvessem momentos de tensão que eu achei que deveria acabar, eu nunca quis que acabasse porque eu realmente amo ele. Mas noto o descuido dele consigo mesmo e com a gente, a falta de cumprir coisas combinadas como o nosso café mensal, as conversas a toa sobre nós dois e talvez um futuro, quem sabe? Eu me sinto feia, desajeitada, sinto que não sou suficiente, mas me mantenho de pé porque particularmente eu vejo que não sou assim. Sou um ser humano qualquer, com algumas habilidades diferentes das demais mulheres (assim como quaisquer outras) e tento da melhor maneira possível lidar com isso. Sou a favor da justiça, de amor recíproco, de carinho demonstrado de qualquer maneira, contanto que seja carinho. E amor.
Eu poderia passar a tarde toda aqui escrevendo, falando o quanto acho meu relacionamento atual importante, porque eu vejo meu amadurecimento para o momento. Meu namorado tem uma filha e pouco fala com ela; já tentei diversas vezes entender concretamente o porquê de falar pouco, mas ele não me deixa "claro", "evidente", só se sente deprimido, talvez pela distância. As vezes acho que esse comportamento que ele tem agora vai além do TDAH que ele descobriu ano passado e que inclusive não tem acompanhamento psicológico (que é recomendado) e muitas vezes eu não tenho como ajudar se ele não me dá abertura. Tenho achado ele influenciável por pessoas que mal conhece, que até podem ser pessoas boas, mas ao mesmo tempo que isso acontece eu tento conversar com ele e ele não me ouve. Eu sinto que ele não me ouve e as vezes é doloroso, não daquelas formas dramáticas, mas de uma forma discreta mesmo. Tudo que tenho feito ultimamente é amar ele à minha maneira (que talvez não o supra, não o agrade ou satisfaça) e observado como ele reage durante nosso convívio em casa.
Me sinto uma pessoa sortuda por tê-lo do lado, e ao mesmo tempo perdida por não sentir sua mão segurando a minha quando eu gostaria que ele segurasse. Diversas vezes já tive receio de me abrir com ele com medo de que acontecesse o que tem acontecido agora. Eu fico muito feliz por ele ter encontrado um novo trabalho e estar se identificando com ele, com os colegas e alunos, eu também tô feliz com o meu trabalho e com as novas fases que vão começar na minha vida. Mas, e nós?
Nós somos uma fase, que começou e vai até onde? Será que estamos juntos ainda? Ainda seguramos a mão um do outro? Será se ele pensa em um futuro comigo, mesmo odiando minha cachorra? Odiando um ser que eu amo? Talvez ninguém leia isso, nem mesmo ele, mas esses atritos me deixam paralisada, sem ter o que dizer, o que pensar e o mais importante, esperando ele decidir o que ele quer de nós, porque ele não se posiciona.
Quando falo de futuro com ele, as conversas se perdem. Não consigo vê-lo com planos. Se ele não tem planos, por que ele me escolheu, sabendo que eu tenho planos para minha vida? Fico me perguntando isso as vezes. Tento desviar meu pensamento para não perturbar o que já tenho em mente, o amo e desde que ele entrou na minha vida, o inclui nos meus planos, nas minhas rotinas, nas minhas vontades de sair e dividir um lugar novo com ele, tomar café ou tomar um sorvete, criar animais e ter harmonia e um amor saudável. Algumas coisas não se cumpriram até então, outras começaram bem e durante o caminho o percurso se alterou. Eu gostaria de mais clareza, de mais sinceridade e de diálogo, sem tons ameaçadores ou sem ausência de palavras. A ausência me deixa confusa, seja de palavras ou de presença. Porque na verdade, expor o que se sente e saber o que se quer resolve muito problema, uma boa parte.
Eu continuo com minhas certezas e não consigo mais ver as dele, e se eu perguntar talvez ele só se distancie mais, peça espaço. Espaço. Gostaria que ele percebesse isso, como ele percebia antes quando eu estava triste, quando eu estava desanimada ou preocupada. Eu continuo notando ele, não sei o que fiz para não ser notada. É esquisito esse sentimento. E já chega de verdades por hoje.

Assinado, Joice.

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