Falar resolve?

Ultimamente não tenho conseguido escrever no papel. Mas isso não significa que eu deixei de sentir o que muitas vezes eu deixei de sentir enquanto estava tomando meus remédios.
Da última vez que fui ao psiquiatra, decidimos que eu tinha que diminuir um pouco a dose dos medicamentos porque estava me deixando apática. E por responsabilidade minha, às vezes eu paro de tomar medicamento para poder sentir o que realmente a vida proporciona uma pessoa que não tem problemas psicológicos sentir. Talvez isso seja errado da minha parte, contudo, é angustiante você sentir vontade de chorar e não conseguir. Na verdade, é angustiante você ser apática, lembrar de como você era sentimental e como você ainda é sentimental de fato, mas às vezes não consegue dar conta de tudo sozinha, porque você é sozinha e não tem ninguém ao seu lado. Acho que falar isso foi um pouco egoísta, porque a Ártemis é uma vida, um ser vivo que muitas vezes considero ser humano e mais que muitas vezes, praticamente sempre, é mais compreensiva e mais companheira do que qualquer ser humano já foi comigo durante esses 30 anos. 
Recentemente eu ouvi, ou pude ler na verdade, de uma pessoa que quando estamos procurando alguém ou querendo ser encontrada, nós temos que deixar bem claro para nós mesmos o que nós queremos e o que é inaceitável para nós. Só que... Já estamos praticamente no fim de fevereiro, completando quase 3 meses de que 2024 começou e não tenho tanta perspectiva de que a minha situação sentimental venha a mudar, fora a melhora e minha estabilidade quanto aos meus problemas psicológicos, minhas condições com transtorno borderline e meus dias reais de TPM que todo mês tenho. Tendo em vista isso, resolvi voltar a tomar meu remédio como qualquer usuária de antidepressivo comprometida com sua saúde mental faz. E hoje, coincidentemente hoje, num fim de domingo deprimente (como normalmente eles são), minha irmã me mandou um vídeo que uma moça fala que você tem que olhar pra si mesma, todos os dias e ver o que você gostaria de fazer por si mesma hoje, amanhã, semana que vem, esse mês e mês que vem... enfim, o ano de 2024. 
"Mas por que isso Joice?". Bem, eu achei super cirúrgico pra mim. Primeiro porque eu vivo pensando em sentimentos, amor, que eu tenho muito amor pra dar mas não tenho alguém. Segundo que, não é ter uma pessoa na minha vida que vai deixar ela completa, porque eu ainda tenho objetivos a alcançar, uma graduação pra acabar, um TCC pra escrever, projeto a aplicar, estágios pra fazer, saúde pra cuidar, a Ártemis pra dar conta e sabe, pra quem tem tudo isso (e muito mais que não citei aqui) pra fazer, não tenho cabeça pra um cara que nem sei se existe ou se eu conheço ou se vai aparecer, e consequentemente ter um triplex alugado na minha mente pra isso. Não é nem uma pessoa específica, é uma "questão", a qual não dependo dela pra viver, é fato. E é preciso ser realista nisso também.
A vida as vezes é como uma avalanche, onde tudo acontece de uma vez só e as vezes a gente não sabe pra onde correr pra segurar as pontas. As vezes se quer chorar, se quer um namorado, se quer fazer um curso, ir à igreja, marcar uma saída, fazer novos amigos, aprender um instrumento e ainda passar num concurso... mas tudo ao mesmo tempo não dá, não dá mesmo. É bom fazer o que dá e fazer bem feito. É bom sentir os sentimentos com discernimento, com os pés no chão mesmo, porque dá. Uma pessoa como eu não tem muito tempo pra ficar deprimida por questões amorosas, por gente mal resolvida, por pessoas que nem sabem o que querem da vida, sem uma posição certa.
Normalmente eu costumo escrever pra me expressar melhor, mas vez ou outra o que tá no pensamento só sai falando. As vezes falar resolve, mesmo que seja só pra você mesmo.

Assinado, Joice.

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