Um quadro-branco, por favor
Comecei meu projeto de "caderno de sentimentos". Um novo amigo me mandou um vídeo semana passada dizendo que ia experimentar fazer um caderno de sentimentos e me perguntou se eu já tinha feito algo parecido. Não é novidade pra ninguém que eu vivo escrevendo ou rabiscando em qualquer pedaço de papel que encontro e antes mesmo de existir esse termo, escrevia nos meus bloquinhos de papel ou cadernos pequenos, que dessem pra carregar na bolsa, pra não deixar nenhum sentimento ou sensação se perder.
Esses dias me veio aquele questionamento de novo, do porquê de eu não ter nascido uma pessoa comum como as várias que já existem. Não veria problema algum em ter alergia a algo, fosse poeira ou detergente, mas queria que meu psicológico fosse legal e que não tivesse desenvolvido nenhum transtorno. O que eu acho mais legal de escrever sobre mim é ler depois. Estar em um momento mais brando e conseguir me entender faz me faz sentir que eu nunca estive sozinha de fato como eu achava que estava (naquele momento). Aquilo que dizem pra gente, "é você e você", é real: eu escrevo pro meu eu do futuro, escrevo pro meu eu de agora - seja pra falar sobre tristezas, dores ou alegrias - e escrevo sobre meu passado, seja arrependimentos ou gratidão - assim como faço nesse blog.
Amanhã o ano letivo começa, o recesso foi bom, bem melhor do que eu imaginava até. Sinceramente acho que não trocaria ele pelo que eu havia planejado na última semana de trabalho. Eu tenho ideias, muitas boas e várias mirabolantes, mas nenhuma seria tão boa quanto ter ficado sozinha no natal, ter hibernado que nem um urso pelas manhãs, sofrer de calor deitada no chão da sala e tomar mais de 2l de água durante um dia que mal abri a boca pra falar. Eu descansei, depois de praticamente 9 anos sem sossego de fato, porque a faculdade sempre me preocupava. Agora a preocupação é outra.
Meu amigo novo, o mestre pokémon, ressuscitou uma parte legal do meu passado: as coisas boas que eu fazia e que ainda gosto. Esse final de semana eu lembrei da época que comecei a aprender música e quando ganhei meu violino. Eu falo que as vezes só queria ser uma pessoa normal, mas por mais simples que a pessoa seja, se ela toca algum instrumento, já a considero especial. Mas não consigo me ver como uma. Acho que quando eu falo que queria ser uma pessoa "normal" é de conseguir se posicionar frente os obstáculos da vida, sobre não ligar tanto pra opinião alheia, sobre ainda sentir que devo satisfação pra alguém apesar de eu pagar praticamente todas as minhas contas sozinha. As vezes sinto que mesmo que já esteja olhando mais pra mim do que antes, ando um pouco "atrasada" na vida. E eu sei que as pessoas dizem "não existe atraso se na vida é você com você", mas eu cheiro a autocobrança, eu querendo ou não e frente a isso, minha cabeça não para de ter pensamentos que as vezes me deixam desnorteada, quando o que eu mais queria era ter um norte, sem precisar de alguém pra me guiar. Acho que o tanto que escrevi no caderno não é nada frente ao que escrevi agora. É ruim toda essa "confusão" de sentimentos, mais ainda é ter que ordenar, porque nem sempre eu consigo - ou vou conseguir. Queria poder ter um quadro-branco enorme pra escrever tudo no seu devido lugar e decidir o que eu posso sentir ou não.
Poderia ser mais fácil, mas não é. Droga.
Assinado, Joice.
Entendo, muitas vezes eu só consigo organizar o pensamento quando boto no papel, o torna real, consigo dar uma ordem no caos da minha mente. Seria perfeito se depois disso pudéssemos simplesmente escolher o que sentir. Infelizmente tornar se consciente do que sente não nos da esse poder.
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