Zerado novamente
Nunca tinha chorado tanto em uma virada de ano - e espero que só na virada.
Ontem a cidade parecia mais uma vez cenário de pandemia - ou cenário de ressaca. As ruas estavam vazias, os semáforos com as cores mais nítidas, sem trânsito, sem buzinas, sem supermercados abertos e até a farmácia perto de casa, que é 24hrs, só tinha uma porta aberta. Mas os hospitais estavam abertos...
O calendário zerou novamente. Aqueles relógios digitais de rua indicavam 01/01. Dá realmente a impressão que eu ganhei mais uma chance. 2025 foi um ano tão conturbado pra mim que eu nem gosto de lembrar, principalmente porque foi escolha minha viver tudo o que eu vivi. Nada de vitimismo aqui, também tive parcela no meu sofrimento. Para além dele, eu pude ver o quanto sou uma mulher potente, mas se pudesse voltar atrás, escolheria reconhecer isso de outra forma.
Queria poder dizer que nesse novo ano eu vou ser uma pessoa mais racional, sem tanto sentimentos correndo nas minhas veias, mas eu sou a Joice que sabe o que não quer ser, que sabe como quer ser e merece ser tratada e antes de ter isso, trata as pessoas como quer ser tratada. Meus objetivos estão bem claros pra esse ano: cirurgias são prioridade e 2026 já começou assim, no hospital. Sei que passar por isso seria menos tenso se eu tivesse alguém do meu lado, pelo menos pra me dar um colo pra chorar e respeitar minhas sensibilidades, mas prefiro ser eu e eu do que ter as pessoas que mantive algum relacionamento ano passado. São passado e vão ficar no passado, pro resto da minha vida.
Não é a primeira vez que eu passo por todo esse processo, seja stress com o plano de saúde ou dores e tô aqui pra provar que minha persistência valeu a pena - e vai valer de novo. E de novo e de novo.
Meu relógio tá zerado novamente, já é dia 02/01, mas não significa que eu vou ser a Joice que tanto cedeu ano passado esperando que as coisas dessem certo, sendo a única fiel e leal, compreensiva o tempo todo, passando por cima dos meus limites em prol de um "futuro" que não saia da tela de um aplicativo de conversa. Foram mentiras, ameaças, omissões, molecagens inconsequentes e a anulação dos meus problemas pra aceitar os outros. Quem em sã consciência escolheria uma pessoa egoísta? Quem em sua lucidez iria esquecer o que lhe faz mal pra pensar em alguém que só olha pro próprio umbigo, conformado em jogar a culpa dos comportamentos em feitos que aconteceram a 10/15 anos atrás?
É, eu. Fui eu. Fui, mas não sou mais.
Hoje eu queria ter abraçado meu terapeuta, porque ele foi tão humano em me dizer que "não importa o que vão achar, ouvir ou pensar de você; se te faz mal, não dê chance dessa pessoa ter acesso à você.". Eu queria tanta coisa hoje, mas resolvi só chorar. Chorar de arrependimento, de solidão, de desgosto, de medo, de desespero, de saudade, de raiva, de tpm... Quando minha vulnerabilidade fica "acessível", emergem tantas coisas dentro de mim, a sorte é que minha irmã aprendeu a respeitar meu pranto e até rimos juntas antes que meu próximo gatilho apareça e logo em seguida, mais lágrimas. Fases, e aprendizados.
Nem com tpm eu consigo ser agressiva, como algum dia alguém ousou dizer que eu só sabia discutir? São em momentos assim que consigo perceber o quanto eu me entrego às pessoas e ao que eu faço e infelizmente nem sempre eu dedico minha energia pro que vale a pena. Mas eu sinto que ganhei mais uma chance, e dessa vez eu vou ouvir minha intuição, mesmo que esse buraco negro que tá aberto em mim agora só queira me sugar.
Zerado, novamente. E nada de repetir o que de ruim aconteceu. A Joyce encerrou todo o mal na série. E essa Joice encerrou tudo e todos de ruim que aconteceram.
Ontem a cidade parecia mais uma vez cenário de pandemia - ou cenário de ressaca. As ruas estavam vazias, os semáforos com as cores mais nítidas, sem trânsito, sem buzinas, sem supermercados abertos e até a farmácia perto de casa, que é 24hrs, só tinha uma porta aberta. Mas os hospitais estavam abertos...
O calendário zerou novamente. Aqueles relógios digitais de rua indicavam 01/01. Dá realmente a impressão que eu ganhei mais uma chance. 2025 foi um ano tão conturbado pra mim que eu nem gosto de lembrar, principalmente porque foi escolha minha viver tudo o que eu vivi. Nada de vitimismo aqui, também tive parcela no meu sofrimento. Para além dele, eu pude ver o quanto sou uma mulher potente, mas se pudesse voltar atrás, escolheria reconhecer isso de outra forma.
Queria poder dizer que nesse novo ano eu vou ser uma pessoa mais racional, sem tanto sentimentos correndo nas minhas veias, mas eu sou a Joice que sabe o que não quer ser, que sabe como quer ser e merece ser tratada e antes de ter isso, trata as pessoas como quer ser tratada. Meus objetivos estão bem claros pra esse ano: cirurgias são prioridade e 2026 já começou assim, no hospital. Sei que passar por isso seria menos tenso se eu tivesse alguém do meu lado, pelo menos pra me dar um colo pra chorar e respeitar minhas sensibilidades, mas prefiro ser eu e eu do que ter as pessoas que mantive algum relacionamento ano passado. São passado e vão ficar no passado, pro resto da minha vida.
Não é a primeira vez que eu passo por todo esse processo, seja stress com o plano de saúde ou dores e tô aqui pra provar que minha persistência valeu a pena - e vai valer de novo. E de novo e de novo.
Meu relógio tá zerado novamente, já é dia 02/01, mas não significa que eu vou ser a Joice que tanto cedeu ano passado esperando que as coisas dessem certo, sendo a única fiel e leal, compreensiva o tempo todo, passando por cima dos meus limites em prol de um "futuro" que não saia da tela de um aplicativo de conversa. Foram mentiras, ameaças, omissões, molecagens inconsequentes e a anulação dos meus problemas pra aceitar os outros. Quem em sã consciência escolheria uma pessoa egoísta? Quem em sua lucidez iria esquecer o que lhe faz mal pra pensar em alguém que só olha pro próprio umbigo, conformado em jogar a culpa dos comportamentos em feitos que aconteceram a 10/15 anos atrás?
É, eu. Fui eu. Fui, mas não sou mais.
Hoje eu queria ter abraçado meu terapeuta, porque ele foi tão humano em me dizer que "não importa o que vão achar, ouvir ou pensar de você; se te faz mal, não dê chance dessa pessoa ter acesso à você.". Eu queria tanta coisa hoje, mas resolvi só chorar. Chorar de arrependimento, de solidão, de desgosto, de medo, de desespero, de saudade, de raiva, de tpm... Quando minha vulnerabilidade fica "acessível", emergem tantas coisas dentro de mim, a sorte é que minha irmã aprendeu a respeitar meu pranto e até rimos juntas antes que meu próximo gatilho apareça e logo em seguida, mais lágrimas. Fases, e aprendizados.
Nem com tpm eu consigo ser agressiva, como algum dia alguém ousou dizer que eu só sabia discutir? São em momentos assim que consigo perceber o quanto eu me entrego às pessoas e ao que eu faço e infelizmente nem sempre eu dedico minha energia pro que vale a pena. Mas eu sinto que ganhei mais uma chance, e dessa vez eu vou ouvir minha intuição, mesmo que esse buraco negro que tá aberto em mim agora só queira me sugar.
Zerado, novamente. E nada de repetir o que de ruim aconteceu. A Joyce encerrou todo o mal na série. E essa Joice encerrou tudo e todos de ruim que aconteceram.
Remédios, já podem me apagar.
Assinado, Joice.
Assinado, Joice.
Comentários
Postar um comentário