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Me mudando

Mudança: Substantivo feminino Alteração ou modificação do estado normal de algo: mudança de caráter. Modificação ou transferência de alguma coisa, geralmente móveis ou objetos pessoais, para um outro lugar: a mudança ainda vai chegar. Alteração ou substituição de uma pessoa ou coisa por outra; troca: mudança de funcionário; mudança de time; mudança de firma. Quando as pessoas falam sobre mudanças, nós temos um leque aberto de pensamentos que nos levam a vários significados. Eu mesma quando procurei o significado no dicionário, apareceu isso acima. E realmente é o que mudança é, um monte de ações, situações, momentos que nos impulsionam a sair do nosso lugar, do nosso normal. E é o que está acontecendo. Eu estou me mudando. Por escolha própria e por necessidade. Eu devo reconhecer que esses últimos dois meses foram intensos, nos quais algumas situações foram premeditadas e outras não. Algumas podem ter excluído minhas chances de melhorar de vida, de melhorar de estado, mas não importa, ...

Old friend

Oi insônia, cá estamos nós novamente. Já sabemos que os últimos tempos não tem sido leves, que mesmo com os melhores tratamentos existem momentos que somos só nós duas e uma cabeça cheia de pensamentos. Muitos pensamentos. Pensamentos bons e ruins, pensamentos amplos e até pensamentos pequenos. Pensamentos. Quando me sinto melancólica, são os desenhos que me acolhem e quando você aparece, eu escrevo ou simplesmente olho para as luzes que atravessam minha janela enquanto o resto do condomínio dorme. Todos dormem lá fora e eu lembro que um dia, tudo parecia mágico na minha mente, no meu coração e fora dele. Lembro o quanto eu gostaria de não sentir nada por ninguém, e gostaria de não estar sentindo nada agora. Lembro que amanhã cedo irei levantar, tomar um banho, escovar os dentes e pegar o primeiro ônibus para o hospital. A dor está voltando. O melhor de tudo é que não me sinto e nem me vejo como uma pessoa doente, eu já vejo tudo como um processo que há de ser vivido como qualquer outr...

Óculos limpos

Hoje eu me olhei no espelho antes do banho e fiz uma oração: "Deus, hoje eu vou tentar ser melhor, por favor me ajude a conseguir." E cá estou com o computador ligado, escrevendo. Ontem o dia não foi fácil, confesso, nem mesmo pra comer e se não foi Deus que viu, alguma força que rege este universo percebeu tudo, consentiu e no final das contas, fez fazer sentido para hoje eu me levantar melhor. Acredito que eu não seja a única a sentir isso, mas talvez eu faça parte de uma pequena porcentagem que tem medicamentos que ajudem a melhorar. Isso me fez lembrar da aula de terça-feira, que eu fui praticamente a força. Estou resfriada e não sei se é uma das mil gripes que estão dando por aí, mas estava em uma sala cheirando a mofo, vendo uma disciplina que já tinha visto e estou cumprindo por tabela. E lembrei do seu olhar. Eu pouco te vejo, praticamente não o vejo, mas sabe, quando eu fico um pouco desanimada me dá vontade de desenhar, e eu desenhei seu olho. Eu gosto dele, gosto d...

Prioridade no hospital

Na segunda eu fui visitar o hospital, mas antes disso muita coisa aconteceu (porque enfim, eu sou a Joice). Minha mãe passou o fim de semana comigo, foi tudo muito feliz, mesmo que eu estivesse passado desde quarta-feira com uma dor estranha saindo da virilha. E o engraçado é que eu já tinha sentido aquela dor, só que a 8 anos atrás quando operei da coluna. Era o meu ciático. Entre idas e vindas ao shopping, ao centro (centro e fashion), aula online, falha nas fotos de formatura (pela segunda vez), eu vinha passando com minha dorzinha de boas. Até chegar segunda-feira, quando ela amanheceu mais latente. Fui com minha mãe resolver umas questões dela e quando voltamos, ela dormiu um pedaço antes de virem pegar ela. Quando ela saiu, eu já não tava aguentando mais, e nem bolsinha de água quente tava resolvendo. Mas antes de prosseguir com a saga do ciático, eu devo contar um detalhe: passei o dia conversando com uma pessoa que é simplesmente A CARA do Satoru , protagonista do meu anime fav...

O lado oposto da calçada

Segunda-feira é um dia tããão besta, é tipo um domingo nº 2. Hoje foi um dia praticamente normal, mas novo para mim por ter tempo de fazer as coisas que eu tenho e devo fazer. Independente do que eu vá fazer no dia, a Ártemis (minha dog) sempre tem o horário dela para passear e eu como tutora, tenho o dever de ir com ela. Mas pra ela, hoje, foi um dia atípico. Ártemis na hora do passeio adora uma rotina, andar sempre do mesmo lado da calçada e quando chega perto de um local mais movimentado ou com barulho, ela quer voltar e eu acabo mudando de calçada pro passeio durar mais tempo. E então vamos voltando pra casa. Só que hoje ela decidiu fazer diferente. Hoje minha cachorrinha decidiu mudar os costumes dela, se dar uma oportunidade de conhecer novos horizontes, mesmo que esse horizonte fosse o lado oposto da calçada que ela costuma sempre andar e cheirar. Antes de procurar adestramento, confesso que eu era meio bruta e puxava ela pra onde eu queria que ela andasse e ela ia cheia de medo ...

Cavar

Hoje eu tomei mais uma das minhas iniciativas, levantar ao menos uma vez com o pé direito e pensar que as coisas vão dar certo daqui pra frente, mesmo com tantas outras coisas dolorosas acontecendo (mais uma vez) de uma vez só, fugindo do meu controle. Mas um novo rumo eu posso dar...  Hoje eu viajei para um bairro e uma rua que eu nunca mais tinha ido, passei por casas que já frequentei e quase até morei. Histórias, várias vidas e histórias envolvidas. Durante todo o caminho de mais ou menos 1h eu fui sentindo cada passo, cada pedra, cada buraco nas calçadas e por onde o ônibus ia passando. Eu olhei para o sol, senti ele na minha pele limpa e riscada. Senti que deveria ir. Era algo necessário e inadiável. Quando perdas e mortes passam pela nossa vida, é tempo de parar e pensar, de sentir a dor e se deixar doer, para o corpo sentir o que a vida proporciona a poucos: a capacidade de sentir. E é algo inevitável. Deixar-se sentir. Se algo que você faz parece inconvertível, ore. Ore pa...

Alívio e dor

Ouça a música que você mais gosta no momento, no volume máximo do seu notebook ou celular. É o que você pode fazer agora por si mesmo, um simples prazer antes que venha uma onda repentina e abale seu equilíbrio, a paz da sua vida e da sua casa, do seu lar e da sua família. E de todos que amam a uma pessoa que do nada se vai, que do nada a vida decide levar. A morte é algo natural e óbvia, porém não deixa de ser dolorosa e uma abertura para recordar as lembranças. Para os espíritas, a morte não é o fim da vida, é apenas uma experiência que todos nós, seres que temos vida, passamos. Por isso, em praticamentre todas as obras espíritas utiliza-se o termo "passagem", o outro passa de uma experiência de vida para outra experiência, só que sem o corpo físico. Você tinha 12 aninhos, era uma criança para nós, sempre foi. Mas para sua espécie, você tinha mais que isso, já era uma idosinha, que mesmo com suas limitações nos deixava muito feliz com sua existência, sua vitalidade e força ...

Para a pessoa que desbloqueei

Essa carta é (mais uma vez) pra você, que já bloqueei de todas as formas de contato que poderia ter. Talvez você nunca vai ler o que eu escrevi, mas eu te desbloqueei e foi o melhor que eu pude fazer para o meu recomeço. Confesso que eu venho pensando em escrever isso já faz alguns dias ou até semanas, mas o que aconteceu esse fim de semana foi enfim algo que me impulsionou a colocar tudo pra fora, mas de forma consciente de que não vou me arrepender como me arrependi de ter escrito a carta anterior. Pedir desculpas talvez não adiante, mas sinto que devo começar assim: Me desculpe. Há quase 1 mês a minha vida mudou, por minha causa mesmo, decisão minha e talvez você já saiba de alguma coisa, afinal, eu te desbloqueei. Mas o que você não sabe, é que o superficial que eu contei não equivale à 1/3 do que realmente aconteceu ou o que eu senti e sinto até agora. As coisas não vinham acontecendo comigo como se toca um instrumento de uma banda: uma corda de cada vez, um tambor de cada vez... ...

Para Cássio, que se chama Arthur

Hoje é aniversário de uma pessoinha que eu praticamente vi nascer, mesmo não estando presente durante a gestação dele. Um menino que é a cara do pai, que sempre foi amado por ele e que é o orgulho dele. Em 2013, quando você estava na barriga da sua mãe, seu pai queria muito que você se chamasse Cássio, mas infelizmente sua mãe não concordou. Houve um debate intenso com relação à isso pois ela estava se sentindo sozinha, achava que seu pai ia casar com ela porque ela estava grávida de você, mas  o mundo não é tão fácil assim como muitas pessoas pensam. O mundo não gira em torno de nós, costuma ser cruel as vezes e nós, seres humanos, temos muitas vezes que nos adaptar ao momento em que estamos passando, seja ele bom ou ruim. Hoje você completa 9 anos, já faz tanto tempo. Lembro como se fosse ontem eu e seu pai planejando seu chá de fraldas, as lembrancinhas, docinhos e salgados. E eu lembro das vezes que ia na farmácia comprar remédio pra dor de cabeça e via um mordedor de borracha ...

Pertencer

Pertencer... essa palavra há dias não me sai da cabeça, até que hoje eu decidi procurar no dicionário o que realmente ela significa. PERTENCER Ser propriedade de alguém; Ser parte de; Estar contido em; Ser da competência ou atribuição de alguém. Pensando por um lado, os vários significados de pertencer estão inclusos cotidianamente em nossas vidas, mas parando para pensar um pouco no individual, será quen nós pertencemos a algum lugar? Todos os dias eu levanto no mesmo horário, com o intuito de fazer o trabalho que me pertence fazer. E no decorrer dessa viagem vejo várias pessoas, que pertencem a vários lugares diferentes dos que eu costumo andar, ou que eu nem imagino que possam existir. Eu penso nas pessoas e penso no mundo, em como ele é, no que pertence à ele e a quem ele pertence, porque sim, o mundo é fracionado em várias partes as quais muitas pessoas acham que pertencem à elas. E nós, pertencemos à quem? Isso talvez seja um questionamento filosófico sem contexto, sem uma razão ...