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Destruída

Algumas dores que sentimos não tem muita explicação, nós só temos a dádiva de senti-las o mais profundo que podemos, mesmo sem querer. Porque toda dor nos ensina alguma coisa. As vezes acho que meus momentos de felicidade me ensinam mais do que meus momentos de tristeza, porque como border que sou, a estabilidade emocional é um sonho de consumo. Sempre me questionei porque eu não conseguia ficar muito tempo feliz, desde mais nova, na adolescência ainda. Com o diagnóstico, muita coisa ficou clara, mas o sonho de ser feliz sem saber que pode acabar daqui 1h ou 1 dia, sempre esteve no meu coração. Essa semana mesmo eu fiquei bastante alegre, me permiti muita coisa: tomar iniciativas, ser ousada, fazer ligações, rir, fazer umas piadas, mas no fim do dia meu tapete foi puxado... E eu sei que a realidade dói, mas não pensei que um choque de realidade fosse tão grande a essa altura do campeonato, quando eu já senti tantas dores físicas. Quando a dor vem de dentro pra fora, é bem pior, o corte...

Maturidade

A maturidade vai deixando a gente mais frio, seja pra chorar ou pra assumir os erros. Antes eu chorava quando errava; hoje eu reconheço meu erro e o reparo, caso possa. Não existindo uma forma de remediar as coisas, o que me sobra é seguir a vida e ter humildade de tentar não errar mais. A maturidade nos leva pra longe dos problemas, pelo menos os que eu consigo ver: pessoas, situações, ambientes tóxicos e até mesmo os lugares que eu considerava acolhedores. A maturidade já me tirou da fossa e também me poupou de me colocar do mesmo buraco que já saí, e mesmo assim ainda tenho que ficar relembrando de fatos ruins pra não voltar até lá. Aqui vemos uma situação em que só a maturidade não é suficiente. Prossigamos. A maturidade já me deixou sem sentimento algum, e por mais que eu já tenha dito em alguma situação que isso era culpa do antidepressivo, sinto muito, não era só ele. Tinha alguma parcela das tantas vezes que já passei pela mesma ocasião, ou percebi que não me cabia mais ali: nã...

Sobre precisar

Já faz uns dias que eu me sinto precisando de algo. Ou de alguém. Ou de alguma coisa. Só não sei exatamente o quê e também não esteja tão disposta a saber. Sinto minhas costas doendo, como se algo dentro de mim estivesse pesando e eu não esteja conseguindo dar conta. Na verdade eu raramente sinto que dou conta das coisas como as pessoas dizem que eu consigo, que eu posso, que eu sou.  As vezes acho que preciso ficar sozinha pra pensar, pra reorganizar minha "caixa de pensamentos", separar os sentimentos, isolar um pouco tanto querer e ver o que eu realmente preciso e o que está ao meu alcance de conseguir e deixar de desejar coisas que claramente eu não vou conseguir ou não depende só de mim para que eu consiga. É duro isso tudo. As vezes acho que preciso escrever até meus dedos doerem, caírem, minhas mãos cansarem, meus pulsos penderem e eu enfim desistir de tentar traduzir o que eu sinto aqui dentro em palavras, porque no fundo eu não consigo falar. Sempre que eu tento fala...

Ao meu favor

Todo começo de ano eu penso que alguma coisa boa pode acontecer, sem que eu esteja esperando. E vou vivendo. E o que acaba acontecendo é que eu esqueço disso, ou quando lembro estou cansada demais pra pensar exatamente o que é a coisa boa que poderia me acontecer sem eu esperar. Já tive minha primeira terapia do ano, já tive gatilhos que me fizeram chorar, já tive raiva, já tive peso na consciência e também me tiraram esse peso. Tem momentos que eu acho que o universo tá ao meu favor, mesmo que eu ache que ele tá de onda com a minha cara.  Quem me vê, não imagina o caos que é minha cabeça, meus pensamentos, meus sentimentos, meus receios, meu nível de energia e como eu sou sensível a praticamente tudo que respira nessa atmosfera. Uma pessoa sensível tem seu lado bom e seu lado ruim e a última semana foi legal porque ouvi uma frase que de certa forma é algo que é meu: você é fofa. Já está saudavelmente comprovado que não sou fofa de gorda (hoje vi que to com 1kg a menos!), então ach...

Rejeição

No dicionário: substantivo feminino - Ação ou efeito de rejeitar (demonstrar repúdio).  Na vida: já não posso dizer que é uma frase simples como a do dicionário. Não é um assunto tão fácil de se ouvir, muito menos de se falar. Mas acontece. E acontece onde menos imaginamos. Sim, o final do ano mexe com meu emocional, não é novidade pra mim e nem pros meus mais próximos e esses últimos dias tenho aproveitado pra pensar sobre o que me aconteceu durante o ano de 2024. "Ah Joice, pensou em rejeições, sério?" Sério! No decorrer desses mais de 360 dias, tive momentos de aceitação e de rejeição, fossem de pessoas, de coisas, de substâncias, de bem (ou mal) estar, dentre outras situações que envolvem essa sensação/sentimento. Faz mal pensar nisso? Não faz, é necessário. Uma coisa que eu aprendi, é que se há rejeição de algo/alguém, é porque tem alguma coisa que você tá fazendo ali que não tá dando certo, que não tá fazendo bem. E pra mudar essa situação, você tem que mudar, seja algu...

Sem fones

Não querer ouvir música é um sinal de alerta. Hoje decidi sair sem fones. Tive uma péssima noite de sono, e não sei o porquê, se desde segunda-feira tenho me dado o direito de descansar a mente. Sonhei que estava doente, e a situação parecia se repetir em loopig, como se eu acordasse e sonhasse a mesma coisa. Só que eu não acordava. Um sonho dentro do sonho, talvez? Eu nunca vou saber. Sai de casa pra fazer exames e me veio uma sensação de stress. Fui até a parada de ônibus sem comer nada, por falta de apetite, ou talvez ansiedade. Me vieram todas as sensações de ansiedade: medo de não chegar a tempo, mesmo saindo 2h antes de casa; pálpebra tremendo, e nunca mais havia tremido; coração acelerado sem motivos aparentes, não estou apaixonada. Era ansiedade. E eu queria chorar. Queria chorar mas ao mesmo tempo não via motivos, não sabia o porquê disso. Comecei a olhar pela janela do ônibus os pequenos detalhes da vida: o gato encima do muro, as folhas caindo e sendo levadas pelo vento, a s...

É para você

Sim, é pra você. Você sabe que é pra você. Sabe aquele momento que a gente não imagina viver, que talvez ele nunca saia da nossa imaginação, da utopia dos nossos sonhos? Então, ele é real. E você vai se surpreender lendo, porque vai ver que eu escrevi sobre aquela noite, aquela nossa noite. Não, não é fácil ver a nossa vida girando em órbita da confusão mental que são nossos problemas diários, que são/foram gerados pelos problemas de quem não tratou de seus problemas. Mas por amor próprio, pelo sentimento de esperança que temos, nós tentamos melhorar, nós procuramos ajuda, nós não desistimos de nós, mesmo que a ferida que demorou tanto a cicatrizar esteja coçando. E tudo tem um porquê. A gente cresceu ouvindo Chiquititas cantando "tenho um coração com buraquinhos e só o quero curar", mas com o tempo esquecemos que a mesma música dá a receita: "Cura, cura com amor e com beijinhos". E eu sei que a gente erra nas escolhas, erra em se doar a quem não sabe nos receber, n...

27/11

Eu comecei a escrever isso no final de novembro. E tanta coisa aconteceu desde então... É bom encerrar o que se começou. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Hoje eu chorei... Chorei por saber que sigo amadurecendo. Chorei por entender que não preciso estar triste com alguns ciclos se encerrando. Chorei por perceber que tenho ótimas pessoas ao meu lado, amigos de verdade, colegas de trabalho com quem dividir experiências, lamentos e salgadinhos. Chorei de emoção. Chorei pelo semestre nem estar encerrando, mas o sentimento que tem passado é esse: o fim. Chorei por ser representada no mais simples atuar de um palhaço. Chorei e me arrepiei por saber que esteriótipo e arquétipo são divergentes, e essa discussão é necessária. Chorei porque meu coração precisava chorar, mesmo que eu não sentisse tanta necessidade. Chorei por ser sensível. E ser sensível não é ruim, muito pelo contrário....

Eu lamento

Mas não tenho mais capacidade de pedir desculpas por algo que não fiz. Já é claro como água, na idade que estou, diferenciar onde eu erro e onde o outro se queixa de algo que não vem de uma atitude minha, onde eu só reajo. Sei que para muitas pessoas é difícil entender a si, como é difícil entender que muitas vezes é preciso insistir na solução de um problema quando estamos normalmente, cotidianamente, fadados a aceitar a velocidade do outro, das burocracias. Sair da zona de conforto não é para todos, é para poucos e nem sempre a ira é suficiente. As vezes o senso e a calma precisam falar mais alto. Eu lamento não poder ser a solução pros problemas de tantas pessoas que estão ao meu redor. Nem sempre eu sou solução pros meus próprios problemas, então por que eu seria a solução de alguém? Eu aprendi que em diversas situações a gente tem que sair do papel de vítima e encarar os fatos: se eu tenho algum incômodo comigo, nem sempre o outro é o problema, nem sempre é o outro que causa. Uma ...

Sinto

Eu sinto que as vezes era melhor nem existir. Cheguei a pensar que com o passar dos anos, passando os famosos "de repente 30" algumas coisas fossem melhorar, como lidar com meus sentimentos, minhas dores, faltas de expectativa e os erros alheios. Mas acho que eu tava enganada. Lembro que quando comecei no centro espírita esse ano, voltei a ter aquela visão da humanidade como "uma tentativa de ascender" espiritualmente, e praticar perdão, entender que todo ser humano tem sua forma de viver, sua missão, seus pecados pra pagar, seus aprendizados pra adquirir, independente se fosse por uma topada ou por ter um colega de trabalho insuportável. Mas cá pra nós, eu e você, nós, tem um momento que não dá pra levar sempre assim. A gente cansa.  E eu cansei. Eu tô muito cansada, seja fisicamente ou mentalmente. Meu peito pesa, minha cabeça, meu corpo e eu venho fazendo o de sempre: tento me manter de pé. Queria que Deus entendesse em algum momento que eu não sou totalmente de ...