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Angels like you

Acho que quando a Miley Cyrus escreveu essa música, ela tava num momento "estar" borderline dela.  No capítulo 7 do livro "Mentes que amam demais", a Ana Beatriz Barbosa escreveu sobre Ser, estar ou parecer borderline , e isso me fez entender muita coisa sobre como as pessoas veem o borderline, até o ponto de se expressarem duvidosamente afirmando "então acho que sou borderline". Não é tão fácil saber como parece, mas como a própria autora diz no livro, o espectro varia e pode estar em várias pessoas que não tem o transtorno. E eu vejo isso na música Angels like you... Incontáveis vezes que ouvi essa música e chorei, chorei copiosamente e ao mesmo tempo ela me acalmou. Nela eu vejo muito do que eu já senti e do que eu sinto. A sensação de que eu não mereço alguém, porque em algum momento eu vou machucar essa pessoa. Parece que um filme se passa na frente dos meus olhos: os momentos felizes, as declarações de amor, os beijos apaixonados, os sussurros ao pé ...

Porta aberta

A alguns dias atrás eu desci do ônibus no lugar de sempre, vizinho à capela do bairro, e vi uma cena que parecia superficial, cotidiana, mas me fez pensar mais do que eu imaginava... Quando eu morava na minha cidade natal, só tinha uma igreja matriz e ela estava sempre aberta quando eu passava por lá. Raramente eu via ela com a porta fechada, só se fosse na hora de dormir. Mas eu nunca via alguém específico abrindo ou fechando. E numa tarde comum de terça-feira que eu voltava pra casa, vi uma senhorinha abrindo a porta da capela. De imediato um pensamento esquisito me veio na cabeça: independente de qual seja a porta que encontramos aberta, um dia ela precisou que alguém desse o primeiro passo para abrí-la.  Com o passar dos anos o corpo e a mente de uma mulher vão mudando muito a cada ano que passa, e depois dos 30 isso se intensifica mais. Seja hormônio ou nossos "divertidamente", parece que tudo aqui conspira pra se mexer de uma vez só, sem esperar a vez do outro e isso va...

Para Maria Sophia

Sophia, a tia é uma mera espectadora de toda sua trajetória dentro da barriga da sua mãe, mas sei o quanto você já é amada. Estamos no ano de 2025 e sabe-se lá se um dia você vai ler isso. Mas independente disso, no meu íntimo, eu desejo que você viva, Sophia. Viva muito e viva bem. Quando eu penso sobre quantas vezes a vida me fez pensar se eu seria capaz de realizar um sonho, de comprar algo que eu tinha muita vontade de comprar ou até mesmo de expressar um sentimento que era muito importante pra mim, vi como valeu a pena ter passado por tantos obstáculos que passei. E a vida, querendo ou não, é isso: sonhar, persistir e se jogar na vida, para aproveitar a oportunidade que temos de viver. Sophia, o mundo não tem sido um lugar fácil de se viver, de lidar. A violência tem tomado grandes proporções na nossa sociedade e junto a isso, tirando a chance de várias pessoas de bem de continuarem vivendo, de realizarem seus sonhos, de estarem juntos à sua família e celebrarem a simplicidade que...

Céu em chamas

Quase todos os dias eu vejo o céu pegando fogo.  Dentro de casa eu fico no meu mundo e às vezes parece tudo mais cômodo pra mim, mas é preciso sair pra trabalhar, pra ir ao médico, resolver nossos problemas, e o principal: viver.  Esses pequenos detalhes que vejo no raiar do dia me fazem lembrar de épocas e épocas que vivi no fundo do poço: a gente não tem esperança nenhuma de sair, se acostumar com a escuridão, com a solidão, com o sono constante, com os próprios pensamentos - e muitas vezes, pensamentos ruins. Ver a vida por uma nova perspectiva ainda é estranho pra mim, porque o tratamento médico dos meus problemas inibe um pouco dos meus sentimentos e da minha intensidade. Mas percebo que não foram suficientes para apagar de mim aquela vontade de escrever qualquer coisa sobre uma coisa qualquer kk  Talvez o pensamento acelerado me deixe empolgada, a ponto de não saber exatamente o que escrever, mas uma certeza eu tenho: os pequenos sinais da vida, do divino, as manife...

O que vem depois?

AVISO: Esse é um texto bem longo. Pegue sua bebida preferida e se deleite. Desde o começo do mês de agosto essa pergunta vem ecoando na minha cabeça... Em julho foi tudo muito intenso: os ajustes, reajustes, defesa, entrega e aceite do TCC na biblioteca; encerramento de semestre na faculdade, no trabalho e o recesso que só consegui descansar na segunda (e última) semana de folga; aquele velho sentimento que divido com meu eu interior que “estou negligenciando tempo”, quando o que eu mais devia era simplesmente me desligar do celular e do mundo para respirar e me reconectar. Tentei. Mas já foi. O ciclo da graduação está enfim se encerrando. Em meio a pressões vindas de todo lado, de comentários que “ela sonha pouco”, ter que aturar terceiros querendo apressar coisas que só eu deveria me preocupar, desviadas de stress alheio, vozes em volume moderadamente alto e portas batendo, chegou o momento de eu focar em mim mesma, mesmo que mais uma vez venham mais críticas destrutivas. Toda camin...

Menos 1 - uhuuu

Hoje foi meu dia de ser feliz, mesmo estando de TPM, mesmo com pessoas me aborrecendo, mesmo com piadas sem graça ao meu redor, mesmo com o motorista do ônibus indo lentamente pela Paulino Rocha liberada pra engatar 50km, mesmo gastando quase R$100 de remédio, mesmo eu chorando hoje pela manhã querendo muito um abraço... Mesmo com tudo isso, hoje foi meu dia de ser feliz. Fui ao psiquiatra e enfim, depois de quase 7 anos, eu entro em desmame de um remédio. Tá longe de alguém entender esse sentimento que eu tô sentindo, mas tanto faz, tem coisas que na minha vida, só eu vou entender. Mas sabe, eu queria poder ter alguém pra comemorar isso comigo. Comecei a tomar medicamentos pra depressão quando tinha 23 anos e quando parava de tomar algum medicamento, era pra inserir outro que fosse melhor ou que causasse menos efeito colateral, ou que me desregulasse menos da minha rotina diária. De lá pra cá aconteceu muita, mas muita coisa mesmo. Eu já me dopei querendo acabar com tudo, já experimen...

Hysteria

Sempre quando ouço essa música, lembro de tempos remotos da minha vida, onde eu toquei o foda-se e aproveitei a vida como nunca tinha me permitido antes. Lembro das vezes que saí em busca de algo que preenchesse o vazio que me faltava, de quando eu fiz vários piercings que jamais pensaria em fazer e até de quando fui à barzinhos assistir cover de bandas que conhecia e até que não conhecia também. Tudo em busca de algo, de alguém, de algum motivo para me manter viva. Ou me sentir viva. As vezes vejo que esse estilo de vida é infeliz, e não é a toa porque já ouvi relatos de pessoas que vivenciaram essa fase comigo e a gente pensa "naquele tempo eu tava perdid@". Sabe o que é mais engraçado? Foi pouco tempo antes da pandemia, e realmente parece que as pessoas já se encontravam com o "sensor de direção" meio abalado, procurando motivos pra sair, pra ser feliz ou pra demonstrar o mínimo de alegria que fosse e tirar aquela selfie, gravar um story e se certificar que o mun...

Kessya casou

E no meu íntimo, sei que um dia também serei eu. Conheci a Kessya por um "acaso": estava ficando com um rapaz o qual ela já tinha namorado e cá pra nós, foi um péssimo namorado pra ela. Futuramente eu ia perceber que ele era péssimo pra mim também. No começo ela não se identificou com o nome dela, mas eu sabia que era ela e como mulher, fiquei curiosa pra saber o porquê ela tinha ido ver minhas redes sociais, ou ao menos o que eu postava, principalmente quando usou um perfil alternativo que não dizia o nome dela. Sei lá, o meu instinto sentiu que ali tinha alguma coisa. E tinha, várias coisas. Kessya se desculpou por ter fuçado meu story naquele dia, mas se eu pudesse dizer algo pra ela hoje, era um sincero "obrigada por ter ido ver meu story naquele dia". Isso me salvou, com toda certeza. Ela me contou que as pessoas nem sempre são o que parecem ser e eu pedi pra ela ir direto ao ponto. Ela me contou que foi agredida pelo meu então ficante, ex-namorado dela. Que el...

Sumiço por sumiço

Dei umas paradas na estrada, talvez pra olhar mais a paisagem e me situar na vida. Deixei pra trás alguns comportamentos, algumas dúvidas e outras indagações vieram de encontro ao meu eu, com um foco maior em mim do que em qualquer outra pessoa. Se fosse uns meses atrás, talvez eu considerasse isso um ato de egoísmo, contudo o meu GPS interno deu uma regulada, dando um sentido diferente nos meus caminhos. Esse último mês foi tão corrido que nem lembro a última vez que parei pra escrever algo que eu sinto. O que lembro é que cheguei a escrever no papel, não tanto como gostaria, mas escrevi. Tento sempre deixar esse meu costume vivo, pra que não se perca como já se perdeu algumas vezes. Voltei aos costumes de Joice de 20 e poucos anos que quando encontrava um pedaço de papel, começava a riscar, a pensar, a anotar qualquer coisa que viesse à mente. E nisso eu fiquei pelos papéis. Fiquei pelos papéis, pelas sessões de terapia, pelas críticas diárias e esforços no trabalho. Fiquei pelo está...

Não posso, mas quero.

Quero morrer... A última semana tem sido de infelicidade, um dia após o outro e sinto que não tô conseguindo mais esconder. Já não consigo ver o borderline nisso, e sim um estado completo de depressão. O meu corpo dói, o meu peito dói, a minha cabeça dói e eu não consigo pensar direito sobre mim mesma, sobre o que vou fazer amanhã, sobre o que eu devo fazer amanhã devido às minhas obrigações, e a minha maior vontade é de abandonar tudo e sumir. Não sei exatamente se isso é a falta do remédio ou se é a influência dos humanos ao meu redor. Quando eu falo dessa forma, parece que eu sou uma pessoa anormal, extraterrestre, mas quem tem sentimentos assim como eu tenho e sinto as coisas como eu sinto, não vejo outra forma de me caracterizar a não ser sendo uma pessoa de outro mundo. O que eu mais queria nesse exato momento, era sentir carinho. Uma mão afagando o meu rosto, um abraço forte que me acolhesse e me desse segurança; palavras de conforto, palavras que me dão certeza de que tudo vai ...