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Não posso, mas quero.

Quero morrer... A última semana tem sido de infelicidade, um dia após o outro e sinto que não tô conseguindo mais esconder. Já não consigo ver o borderline nisso, e sim um estado completo de depressão. O meu corpo dói, o meu peito dói, a minha cabeça dói e eu não consigo pensar direito sobre mim mesma, sobre o que vou fazer amanhã, sobre o que eu devo fazer amanhã devido às minhas obrigações, e a minha maior vontade é de abandonar tudo e sumir. Não sei exatamente se isso é a falta do remédio ou se é a influência dos humanos ao meu redor. Quando eu falo dessa forma, parece que eu sou uma pessoa anormal, extraterrestre, mas quem tem sentimentos assim como eu tenho e sinto as coisas como eu sinto, não vejo outra forma de me caracterizar a não ser sendo uma pessoa de outro mundo. O que eu mais queria nesse exato momento, era sentir carinho. Uma mão afagando o meu rosto, um abraço forte que me acolhesse e me desse segurança; palavras de conforto, palavras que me dão certeza de que tudo vai ...

Abalos sísmicos

Aquela história de que "cada pessoa é um mundo" nunca fez tanto sentido. Se cada pessoa tem/é um mundo, nesse mundo existem territórios que com certeza em algum momento serão impactados por alguma atitude ou situação, natural ou antrópica. O meu mundo, agora, se encontra em um abalo sísmico. Quando minha pressão cai, parece que a qualquer momento todo o resto do mundo vai cair junto. E como as placas tectônicas, em um ato de choque, minhas mãos tremem: como um terremoto. Nesse instante eu só queria chorar. Nesse momento eu me sinto como um planeta, sozinho, que talvez não tenha nenhum satélite natural que me faça companhia. Indefeso, à mercê de uma chuva de meteoros imprevisível, que em algum momento vai deixar marcas em mim, algumas até eternas. Me pergunto a todo instante se todo o sofrimento que passo é por minha culpa, onde foi que eu errei, onde que eu pequei ao tentar amar, ao tentar expressar meus sentimentos e não ser entendida, não ser acolhida. De que vale a pena es...

Alguém

Alguém que esteja apto a ser importante, pois vai ser. Alguém que queira ser amado verdadeiramente (e intensamente). Alguém que seja mente aberta, pra conhecer um mapa cheio de perfeições e inconsistências. Alguém humano, que saiba olhar nos olhos e acolher uma pessoa medrosa... Alguém que queira continuar crescendo na vida, pra ter uma sintonia recíproca. Alguém que não sinta pena de mim, mas que me abrace quando eu estiver chorando. Vou precisar. Alguém que tenha histórias pra contar, porque vamos fazer mais histórias juntos. Alguém sincero, porque minha alma pede e eu não posso negar o básico pra ela. Alguém que saiba o que é felicidade, pois quero (e farei o que puder para) que sejamos. Alguém que já tenha sofrido, pra ser empático comigo e com minhas cicatrizes. Alguém que valorize tempo de qualidade, porque eu gosto de presença. Alguém carinhoso, porque é um ato involuntário de quando sinto afeto. Alguém que tenha paciência, pois aqui temos territórios complexos a explorar. Algué...

Levantando

Dizem que o importante não é quantas vezes você cai, mas sim quantas vezes você levanta. E mais uma vez eu levantei.  Não sou o tipo de pessoa que pratica autopiedade, sei reconhecer quando erro e sei mais ainda quando devo pedir desculpas, perdão, ou quando não devo fazer nenhum dos dois. As últimas semanas foram de adoecimento, e só Deus sabe como eu sobrevivi. Parece que toda queda de sanidade psíquica derruba minha imunidade, e se eu tiver certa, isso me deixa muito triste. Mas enquanto eu não descubro se é verdade, me recordo dos momentos de aprendizado nesse turbilhão de emoções que eu passei. Tivemos um feriado prolongado o qual eu fiquei horas e mais horas no hospital, tomando medicamentos, passando mal, tirando sangue e quase desmaiando, sem fome, com dores e sem sono. Esse tipo de situação sempre me faz ficar muito pensativa sobre mim mesma, de como eu venho levando a vida, à quem eu estou direcionando minhas energias, acabo por me avaliar como mulher, como ser humano, co...
Esse texto não tem título.  Talvez seja o texto mais esquisito que eu já escrevi um dia. Mas tudo isso tem um motivo: Dor. Ser/Ter borderline nunca foi uma escolha. Quando recebi o diagnóstico, achei que as coisas seriam mais fáceis dali pra frente. Sinto que quando encontrei um remédio que funcionou comigo, que amenizou minhas tristezas, eu vi uma luz no fim do túnel. Mas hoje eu me vejo no escuro. Totalmente. Estou escrevendo aqui porque tentei no papel, mas minhas mãos não deixam. Ultimamente tenho tido tremores constantes, e meu psiquiatra disse que podem ser episódios de ansiedade (constantes, diga-se de passagem). Tenho andado sempre à flor da pele, como se tivesse muitos sentimentos acumulados, e se confundindo, brigando dentro de mim e na minha cabeça. Como dizia Chester, minha cabeça não é o melhor lugar para eu morar. Essa frase fica se repetindo o tempo todo na minha cabeça. Chegou a um ponto de eu tentar fazer até o que era ruim pra mim, tentando fazer a dor passar. Eu ...

A sensação do nada

É domingo a noite, e você com certeza sabe que sensação é essa. Só o que eu consigo sentir agora é uma dor de cabeça imensa. Um pouco mais cedo estava escrevendo sobre os dias de paz que eu vinha sentindo, mas parece que o universo gosta de me testar, de me desestabilizar, assim com a minha mente e algumas pessoas. O meu peito tá doendo, a vontade que eu tenho é de chorar. Vi o crepúsculo e com ele, uma aflição esquisita. E sei lá o porquê que eu fico logo associando coisas na minha cabeça, mas o que eu mais queria era sentir a paz a qual estava escrevendo mais cedo. Agora eu só queria rasgar o meu peito pra preencher o vazio que tô sentindo, sanar um pouco essa dor e a sensação de ser uma grande idiota. Tentei ter um dia produtivo, mesmo que fosse um domingo... O sol saiu com tanta força, que eu quis aproveitar minha boa energia somada aos efeitos dos meus medicamentos. Mas sei lá, parece que agora tudo que eu fiz hoje não valeu de nada, mesmo que eu tenha feito algum esforço. Me sint...

O CVV me salvou

Olá caros leitores, já fazia um tempo que eu não vinha aqui dar notícias mais detalhadas sobre mim (o que realmente não costumo fazer, pois escrevo sobre aleatoriedades). Depois de um fevereiro cheio de provações, achei que tinha chegado o meu momento de descansar. Estava enganada. Dia 1º de março já tive um stress em casa, o qual me resguardo de aprofundamentos, os meus mais próximos sabem e sabem que não é de hoje que isso vem acontecendo. O fato é que isso me deixa muito ruim, de um jeito que eu perco as forças, a vontade de fazer o que eu teria que fazer, e não consigo pensar nem mesmo que existe um horizonte que me espera, coisas boas a conquistar, a chance de sair do lugar onde estou e conquistar minhas próprias coisas mesmo que na minha velocidade, porém sem críticas e sem grosserias e afins. A minha sorte é que eu tenho anjos, os quais posso chamar de amigos :) Eu não sei o que seria de mim sem eles, sem essas poucas pessoas que eu posso contar nos dedos das mãos (e ainda sobra...

Sobre forças divinas

Mais um dia vai terminando, e o sentimento é que eu estou viva hoje por misericórdia de alguma entidade que tem muito carinho e amor por mim. O mês de fevereiro foi muito, muito ruim. Acho que nunca tinha sido desse jeito antes. Nunca havia me questionado tanto sobre minha existência, minha resistência e os motivos de continuar tentando, lutando e pensando em recalcular minhas rotas. No mês de janeiro recebi o diagnóstico de rinite e até aí tudo bem, o problema foi a primeira crise que eu pude constatar que aquilo era a rinite. Segundo meu psicólogo, meu psicológico estava abalado por estar passando pela fase de visitas em casa, cobranças e autocobranças, mudanças no trabalho e fim de semestre da faculdade. Esse combo foi crucial pra que sei lá, meu corpo emitisse um alerta de “PARE”, mas do modo dele (o que não foi nada legal). É o que dizem, se você não para, algo vai parar você. Achei que meu nariz não sobreviveria, quem dirá eu mesma. Já tava virando cadeira cativa no hospital, na ...

Destruída

Algumas dores que sentimos não tem muita explicação, nós só temos a dádiva de senti-las o mais profundo que podemos, mesmo sem querer. Porque toda dor nos ensina alguma coisa. As vezes acho que meus momentos de felicidade me ensinam mais do que meus momentos de tristeza, porque como border que sou, a estabilidade emocional é um sonho de consumo. Sempre me questionei porque eu não conseguia ficar muito tempo feliz, desde mais nova, na adolescência ainda. Com o diagnóstico, muita coisa ficou clara, mas o sonho de ser feliz sem saber que pode acabar daqui 1h ou 1 dia, sempre esteve no meu coração. Essa semana mesmo eu fiquei bastante alegre, me permiti muita coisa: tomar iniciativas, ser ousada, fazer ligações, rir, fazer umas piadas, mas no fim do dia meu tapete foi puxado... E eu sei que a realidade dói, mas não pensei que um choque de realidade fosse tão grande a essa altura do campeonato, quando eu já senti tantas dores físicas. Quando a dor vem de dentro pra fora, é bem pior, o corte...

Maturidade

A maturidade vai deixando a gente mais frio, seja pra chorar ou pra assumir os erros. Antes eu chorava quando errava; hoje eu reconheço meu erro e o reparo, caso possa. Não existindo uma forma de remediar as coisas, o que me sobra é seguir a vida e ter humildade de tentar não errar mais. A maturidade nos leva pra longe dos problemas, pelo menos os que eu consigo ver: pessoas, situações, ambientes tóxicos e até mesmo os lugares que eu considerava acolhedores. A maturidade já me tirou da fossa e também me poupou de me colocar do mesmo buraco que já saí, e mesmo assim ainda tenho que ficar relembrando de fatos ruins pra não voltar até lá. Aqui vemos uma situação em que só a maturidade não é suficiente. Prossigamos. A maturidade já me deixou sem sentimento algum, e por mais que eu já tenha dito em alguma situação que isso era culpa do antidepressivo, sinto muito, não era só ele. Tinha alguma parcela das tantas vezes que já passei pela mesma ocasião, ou percebi que não me cabia mais ali: nã...