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Nem boas, nem ruins...

Apenas pessoas. O ano de 2024 veio com tudo e esse tudo já me trouxe algumas reflexões, mesmo que não tão fluidas como normalmente eu costumo ter. Resolvi fazer um experimento não tão recomendado (crianças, não façam isso em casa) de parar com meu antidepressivo pra ver se consigo ter mais tato com meus sentimentos. Acho que tanta química no meu organismo tem retido o meu lado sensível e, pelo que pude perceber hoje, acho que é verdade. Não é muita novidade pra mim que meu relacionamento com pessoas (digo, seres humanos) é um pouco esquisito. Digo isso porque já fui uma pessoa muito aberta a vivências sociais, já tive mais contato social, já fui mais de sair, de dar oportunidade à interação social e hoje em dia me vejo mais introvertida. Ok, tem gente que diz que eu sou simpática ou que "pareço" ter muitos amigos, é uma pena que seja bem entre aspas porque não é verdade. A verdade é que eu ando muito "na minha", longe de convívio social amplo e sem aproximação e é u...

Sobre o 1º FT

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A vida tem seus momentos de devaneio, e antes de dormir, lá vem eu com mais um deles. O ano letivo na escola em que comecei minha carreira de magistério está chegando ao fim. Na verdade, hoje foi o último dia letivo e enfim, eu escolhi não ir até lá ver todo mundo. Acho que ia chegar lá e me sentir um peixe fora d’água, em um aquário onde talvez não fosse mais meu lugar. Mas eu iria, só pra ver os meus meninos, só pra ver o meu 1ºFT. Nesse momento passa um filme na minha cabeça... É bem provável que eu não consiga participar da vida de todos eles como eu gostaria de participar. Eu queria, mas não posso. Talvez nem todos gostem de mim como eu gosto de cada um, e tudo bem. Cada ser humano nasce com uma missão e acredito que enfim, no auge dos meus 30 anos, eu tive mais certezas do que nunca de que minha missão é lecionar. E como uma mãe tem receio de abandonar os filhos, eu tenho medo de me distanciar dos meus primeiros alunos, porque acabei criando um afeto (mesmo que mínimo) por eles, ...

Sobre minha mãe

Minha mãe veio do interior no feriado de 15 de novembro pra ficar um pouquinho comigo, e eu nunca sei bem como agradecer a boa vontade que ela tem de mexer os pauzinhos lá no interior pra vir aqui me ver. É sempre gratificante ter a presença dela aqui, mas já tivemos nossos tempos ruins, que eu era insensível e não sabia valorizar essa presença dela. Ela sempre teve a alma mais moderna que a minha, até falo pros meus amigos e conhecidos que a gente trocou de alma em algum momento. Ela é descolada, sabe usar gírias, fazer coraçãozinho coreano e agora tá na fase de doramas. Ela se tornou a Joice quando era na adolescência: acordava de madrugada pra ver o download dos meus animes e hoje ela fica acordada até mais tarde assistindo doramas. Perto desse feriado eu voltei da escola e ela já tinha passeado com a Ártemis porque eu demorei a chegar, mas tomamos café juntas e ela foi assistir os doramas dela enquanto eu tava na rede. Eu tava mexendo no instagram e salvei um post sobre 36 doramans...

Sobre depressão

Lembro que expor meu quadro depressivo não foi visto como uma boa ideia pela minha mãe. Na época as pessoas depressivas eram mau vistas pela sociedade, como se a gente tivesse com uma doença infecto-contagiosa. E de certa forma ela se propagou rápido. Não como um vírus, porém mortal. E já são mais de 20 anos convivendo com depressão, ansiedade e posteriormente, com borderline. Minha mãe conseguiu me ver como uma pessoa forte por eu ter assumido publicamente como uma portadora de depressão e com o tempo isso meio que se tornou comum, só que em níveis diferentes entre as pessoas. Já tive meus momentos críticos de depressão e até tentei tirar todas as minhas chances de melhorar, contudo consegui dar a volta por cima, sozinha ou acompanhada de algumas pessoas. Mas uma coisa é importante salientar: a depressão ainda não tem cura e talvez nunca tenha, porque afeta nosso psicológico, mexe com os nossos órgãos vitais, nossas emoções, nervos, pensamentos e agora foi descoberto o "pensament...

Sentiu que precisava escrever...

Sentou e enfim escreveu. Faz tempo que eu não paro um pouco pra escrever. Quando me dei conta, já tinha coisas demais em mente, sem conseguir colocar pra fora. Tenho a impressão que mais uma vez tô dando conta de coisas ou pessoas que não são pra eu ter tanta comoção, envolvimento, ou até mesmo apreensão por me preocupar com o que essas acham de mim. Tenho percebido mais uma vez o quanto é prejudicial pra minha saúde tentar entender as pessoas que não se abrem pra me entender também. E sabe, quando uma atitude dessa de compreensão vem só de uma parte, é complicado. Tenho percebido também que tô sentindo falta de algo, ou de alguém. Seria ousado da minha parte dizer que minha vida anda parada, porque eu mal tinha tempo pra pensar em mim e só pensava nos meus mais de 800 princesos e princesas que em sua maioria tentou o ENEM esse fim de semana. Fiquei muito contente por ver assuntos que discuti em sala com eles virando questões de prova, isso é muito importante pra eles perceberem que tu...

360° e contado.

Eu nem sou bailarina, mas minha vida deu um giro de uma hora pra outra. Completo. Esperava que os 30 fossem fazer alguma diferença quando tava bem próximo, contudo chegando em setembro nem esperei mais tanto. Tava conformada e aceitando o que o destino quisesse me trazer, mas com uma única exigência: que fosse para o meu bem. E veio. De repente. Final de mês eu tinha a semana universitária da Uece pra "realizar". Digo isso entre aspas porque não sou só eu que faço esse evento, mas eu ia participar como ninguém e como nunca tinha participado antes: ministrando oficina, apresentando trabalho oral, participando de sala interativa e outra demanda que precisassem de mim. Contudo não foi muito bem isso que aconteceu. No começo de setembro, depois de muita gente me aconselhar e apoiar a fazer uma seleção pra professor temporário, eu fiz. E olha só, eu acabei ficando com a vaga! Surprise!!! Todos os meus planos tiveram que mudar rapidamente porque eu ia começar justamente na semana u...

Depois dos 30...

Não é nenhum bicho de 7 cabeças, eu prometo. Pode até parecer um pouco pavoroso, mas depois dos 30 algumas coisas permanecem iguais, tipo quase tudo. O que muda mesmo, a princípio, são números. Afinal, é mais uma década pra conta né? Meus pensamentos se voltam todos pra uma afirmação: Eu tinha planos para concretizar antes dos 30, não fiz nem metade do que eu queria fazer mas fiz mais coisas do que esperava fazer, mesmo que não fosse o planejado. E sabe de uma coisa, isso me faz pensar de forma positiva, que o que aconteceu foi o melhor que pôde acontecer. Até acho que já falei essa frase aqui, mas não custa nada repetir porque muitas vezes a gente para pra pensar que falhou, que o que planejou não foi feito no prazo e que não tem mais chance de acontecer. Eu acho que se é uma coisa que a gente quer muito, não custa nada seguir em frente com seus planos até conseguir! Hoje começa uma semana bem movimentada na faculdade e lembro que não é a primeira vez que vivencio isso, contudo esse a...

Antes dos 30...

Vieram os 29 anos que já vivi, cheios de experiências das mais diversas situações, coisas atípicas, remédios, risos, alegrias, tristezas, depressão, ansiedade, uns princípios de ataque de pânico e aprendizados. Muitos por sinal. Eu achei que nunca ia chegar até aqui, assim como não achava que ia chegar aos 18 e quando cheguei, me desesperei. Diferente dos 18, hoje eu não tô desesperada, me sinto mais em paz comigo mesma. Vejo que o meu peso tá de acordo com meu tamanho e isso não tem impactado na minha coluna, que talvez tenha o mesmo número de parafusos a mais que minha cabeça tem. Antes dos 30, ou até mesmo dos 29, vieram muitos momentos de comparação, o que eu acho uma injustiça comigo mesma. Eu me comparar com outra pessoa, qualquer outra pessoa, é um erro. Parece clichê dizer que “todo mundo tem seu tempo”, mas no último ano eu aprendi muito disso: que eu não devo me comparar, que cada pessoa é única e isso se aplica a mim também, que eu tenho meus problemas de saúde e tenho que m...

Longe de você...

... eu sei que continuo sendo a Joice, mas contigo eu poderia ser bem mais. Ser nós dois. Os traços do cotidiano vão cansando o corpo físico, a mente e a alma. Mas ter uma companhia nos deixa mais forte. Eu sei que é difícil as pessoas admitirem isso, até ouvir isso de mim talvez seja estranho porque ultimamente eu tenho tentado ser autossuficiente. Contudo, quando a gente compartilha a vida, ela se torna mais leve, independente com quem seja. Tá, não pode ser qualquer pessoa (óbvio), sim alguém que saiba a hora de voar e a hora de pôr os pés no chão. Enquanto isso não é possível, estou longe de você... Longe de você parece que eu estou sozinha, mas sei que não. Eu posso ter suas mensagens e consigo ouvir você falando quando as leio. Você se torna mais real do que os meus vizinhos quando alteram a voz num momento de briga. É real. O que é o contato físico, quando eu posso ter horas e horas de diálogo contigo, onde fazemos nos entender a cada dia, a cada minuto que passa, e do nada o te...

Querida Sophie...

Acho que nunca nos parecemos tanto como nos últimos dias. Como você, eu tenho procurado trabalhar com o que gosto, independente de algumas pessoas já terem me perguntado se é isso mesmo que eu quero pra minha vida. E sim, é isso que eu quero, ser professora. Sei que apesar do cansaço e alguns estudantes não gostarem de estar na escola, eu consigo. Como onde você mora tem alguns momentos "pacatos", aqui eu transpasso por muitos momentos de rotina, que até tento fazer coisas diferentes mas nem sempre tenho sucesso. E quando há algo diferente, tem sempre umas sombras ruins disfarçadas de gente com boa intenção me rondando, e isso eu não sei se vou conseguir aprender a lidar um dia. Essa toxicidade as vezes acaba me poluindo... Dolorido? Não é esse bem o nome, "maçante" talvez seja o termo correto, de revirar os olhos. Sabe com que mais tenho sido semelhante a ti? Tô parecendo uma véinha, mesmo sendo uma jovem adulta. Literalmente uma senhorinha com seus hábitos próprio...