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Talvez

As vezes ainda me impressiona como as pessoas ao meu redor me dão falta de vontade de viver. Talvez isso seja só mais um desabafo como outros milhares que já escrevi e pensei, mas é isso... Eu tô cansada de algumas coisas que vem acontecendo na minha vida, e infelizmente essas coisas não estão sob meu controle no momento. Hoje passei o dia na cama, como nunca mais havia passado. Sem vontade de fazer nada, fosse beber água, ou comer, ou me mexer, ou tomar banho. Qualquer coisa que fosse. Ontem o dia foi cansativo, fisicamente e mentalmente. Alguns processos já foram suportáveis pra mim e hoje, os que eu venho passando, são insuportáveis mas inevitáveis. Simplesmente existem pessoas que adoecem a gente, que não basta só a si mesmo estar mal, tem que fazer o outro mal. Engraçado esse tipo de coisa né? Quem em sã consciência tem prazer em fazer a vida do outro ficar ruim? Eu particularmente não vejo sentido, mas tem gente que faz isso, seja voluntária ou involuntariamente. E sinceramente, ...

Mudanças

Quase 1 mês sem escrever e não foi por falta de vontade. Algumas mudanças acontecem e mexem com nossa rotina. É o que tem acontecido ultimamente. Ora a vida pede um hiato, uma pausa; ora ela nos obriga a parar, seja pra pensar ou pra tomar decisões, focar em algo mais importante, e algumas coisas que eram nossos costumes vão ficando pra depois. É uma pena eu não ter a escrita como algo que possa se dizer "prioridade" na minha vida, mas ela nunca me abandona. A escrita é e sempre será minha companheira, mesmo que eu não tenha tempo. Ela existe nos meus dedos, nos meus cadernos, bloquinhos, folhas avulsas que rabisco ou lembro de alguma frase que me chamou atenção, ou uma carta de amor. Contudo, até isso tem sido escasso. Consegui um estágio remunerado e isso me fez sentir viva novamente, porque quando não se produz economia nesse mundo capitalista, infelizmente é como se não existíssemos, como se a gente só desse prejuízo. Casado com esse momento, cheguei aos meus 31 anos aind...

Isolamento

Poderia ser COVID, catapora, sarampo. Mas era ela, a depressão. E com ela, o isolamento.  Já relatei várias vezes por aqui ou pessoalmente com conhecidos, desconhecidos e amigos que além de depressão e ansiedade, eu tenho transtorno de personalidade borderline (ou simplesmente TPB). E eu ainda não sei se a depressão é só mais um diagnóstico ou ela é derivada do TPB. Mas sei que ela existe. E veio me visitar esse fim de semana. Nunca mais eu tinha sentido tão forte como veio. Primeiro, com desconfiança. Sabe quando a gente vive tendo dias ruins ou lutas seguidas pra conseguir o que se quer e com o tempo, tudo vai dando certo e vem aquele questionamento de "quando que alguma coisa vai dar errado?". Sim, tem gente que se pergunta isso, e eu acabei "catando" motivos pra duvidar de que viver um dia feliz era possível, que ter uma "harmonia" na minha rotina era merecimento meu. E veio a autossabotagem... "Você vai pôr tudo a perder", "você vai ser...

Eu vivo

Hoje eu vi uma postagem no instagram que dizia "Enquanto eu resistir, eu vivo". Isso me abriu um guarda-chuva na cabeça. Esse negócio de "abrir um guarda-chuva" é muito da minha síndrome do pensamento acelerado. Eu não consigo parar de pensar, é simplesmente toda hora vindo mil e um pensamentos seguidos na minha cabeça, e as vezes eu não consigo controlar. Só fico parada observando tudo mentalmente (porque enfim, é tudo na minha cabeça, ninguém percebe nada). E a vida acaba se resumindo a isso, de resistir. Apesar de tantas coisas estarem acontecendo ao mesmo tempo comigo, a vida tem se resumido a isso: resistir. Resistir para tempestade passar; resistir para ter momentos felizes; resistir até as oportunidades aparecerem; resistir até as crises cessarem.  Confesso que saber que sou portadora de um transtorno de personalidade é bom e é ruim. Bom no sentido de que muita coisa que eu já vivenciei na minha trajetória se explica, que não foi uma coisa "desconhecida...

Sobre a morte

Quando chegamos à vida, a um plano terrestre, raramente sabemos o que viemos fazer aqui. Eu mesma lembro que quando era criança caminhava pelos batentes do mercado central da minha cidade natal e pensava "de onde eu vim?" ou "o que eu vim fazer aqui?". Mas por ter pouca idade e ter poucos recursos para uma pesquisa mais aprofundada, eu não tinha resposta nenhuma e o que me restou foi o óbvio: viver. Com o passar dos anos, eu via certas coisas acontecendo, sentimentos surgindo, algumas indagações estranhas na minha cabeça e uma dificuldade de expressar os vários sentimentos que eu sentia, principalmente os negativos. E eu fui ficando deprimida, retida, e vieram aquelas vontades de qualquer pessoa que se sente sozinho (mesmo rodeado de pessoas) tem vontade de fazer: sumir, ou morrer. Talvez tenha sido nesse momento a primeira vez que pensei algo que poderia ser lógico naquele momento e que eu já havia ouvido falar por outras pessoas ao meu redor, mas não tinha absorvi...

Para um amigo de infância

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Nunca pensei que fosse um dia te escrever, principalmente nesse momento. A vida é imprevisível, é breve e nós nunca sabemos quando vai acontecer alguma coisa. Quando vai acontecer a última coisa. Eu não lembro a última vez que nos vimos, nem o último abraço que te dei, mas recordo bem o quanto tua inteligência te levou longe.  Se eu era português, você era matemática. Era assim desde criança e depois de adulto também foi, não foi a toa que você conseguiu ser um dos primeiros engenheiros da nossa geração e longe de qualquer privilégio, foi por muito esforço. Nós, crias do pé de serra, filhos de professores, tendo sempre aquela "leve" pressão do dever de sermos eficientes em tudo que fôssemos fazer. Você era irredutível, cheio de disciplina, esperto e focado e apesar de tudo isso, aproveitamos nossa infância e foi lá que eu também peguei apreço pela escrita, de escrever bilhetinhos na sala, cartinhas pra mãe e pro pai, logo serei professora... A gente brincou muito junto, assis...

Adoeci

É, o ferro que eu tenho não faz efeito na imunidade, só nos ossos mesmo. Adoeci tem alguns dias e não me recordo quando foi a última vez que peguei uma gripe. Mas lembro quando adoeci e quase tive pneumonia, que pareceu bem similar ao que vinha sentindo nos 5 dias que se seguiram: aquela febrezinha no fim da tarde e a moleza no corpo, e depois as dores no peito seguidas de falta de ar. Dessa vez não foi princípio de pneumonia. Mas o abatimento veio. Há vezes que precisamos de algo assim pra parar, pensar, talvez sair da rotina que a gente costuma ter (mesmo que produtiva) pra olhar mais pra si, e se perceber um pouco mais. Com a moleza, os banhos ficaram um pouco escassos durante o dia, mas os dentes eu mantive sempre escovados. Isso soa porco? Talvez, mas quando a gente não sustenta o corpo direito, nada anda bem, não é? Nem mesmo os pensamentos da gente. Passei dias sem lavar o cabelo, sem usar um hidratante no rosto e no corpo e procurei refúgio nos livros e nos desenhos. Poucas pes...

Sobre paz

Talvez eu não veja a escrita como um "talento", como algumas pessoas dizem que eu tenho. Desde criança eu vivia para instruções: o que assistir, o que ler, o que aceitar pra comer, o que não fazer, a quem evitar, a sempre respeitar e não ter tanta vontade de nada. O tempo me fez aperfeiçoar uma instrução. Com o passar dos anos, a escrita me levou a lugares de reconhecimento, mas ao mesmo tempo esse reconhecimento era duvidoso porque eu era filha de quem era, então na verdade eu não tinha tanto crédito assim, talvez. Mas eu devia ser boa em algo, não é verdade? Então eu me dedicava à leitura e a escrita. No ensino médio eu era uma pré-adolescente carente que queria ser amada, e imaginava sempre alguém me amando ardentemente, cedendo às minhas vontades, meus anseios de carinho e atenção, que fizessem eu esquecer do vazio que eu sentia em casa, dentro da minha família. Ok que não foi exatamente isso que aconteceu durante os próximos sei lá, 5 anos adiante. Até ter meu primeiro n...

O suco do caos

As vezes, percebo a vida como um metrô: o puro suco do caos. Até chegar no metrô, se percorrem caminhos abertos, calmos, onde sente-se um pouco de vento. Ouve-se o soar dos automóveis, das motocicletas, o ruído de outras vidas em movimento. Quando enfim chego na estação, já tem algumas filas formadas, até calmas. Mas quando o metrô chega, já tá praticamente lotado e ainda enche mais. Mais. Mais. Mais. Mais. Cada vez mais. É assim que eu me sinto quando a ansiedade bate à porta. Não me recordo quando comecei a ter episódios frequentes de ansiedade, se quando adolescente, pré-adolescente ou já na juventude. Só sei que à mesma medida que dizem que "cada um de nós é um universo", é sempre bom lembrar que dentro desse universo nada é homogêneo e isso implica dizer (e consequentemente recordar) que existem coisas que vão funcionar muito bem, bem, bem porém nem sempre, nem constantemente e coisas que nunca vão fazer sentido dentro desse "universo", funcionando sempre mal. ...

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma sombra.  Tinha uma sombra no meio do caminho. Não era uma sombra qualquer,  mas aquela maldita sombra. Aquela sombra no meio do meu caminho... A cidade parece tão grande as vezes, que mal me passava pela cabeça ter que suportar tal desconforto com certa frequência. Já não bastasse o tempo de omissão que causei à mim mesma desse assalto, o temor de reencontrar meu algoz com a expressão mínima de arrependimento se tornou minha mais nova sentença. Não sei quanto mal eu andei cometendo por essa vida ou até mesmo as anteriores, quantas vezes fui maldizente, mas toda vez que essa sombra transpassa meu caminho, é como se uma faca navalhasse minha consciência... Talvez demore pra esquecer esse acontecimento, que se alimenta da minha paz de espírito, trazendo recordações nada especiais de um ano atípico.  Jamais esquecerei os dias de luto, as dores latentes no peito esquerdo que se espalharam pelos pulmões, me deixando sem ar. Completamente sem ar. E c...